A Câmara Municipal de Coimbra aprovou recentemente um apoio financeiro de 15 mil euros para um projeto da associação Maré Dialética, uma organização constituída em abril de 2026. A decisão suscitou reservas por parte dos vereadores da coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS‑PP/IL/Nós, Cidadãos!/MPT/PPM/Volt), que votaram contra a proposta e exigiram maiores esclarecimentos sobre o enquadramento e os termos do apoio.
Critérios e críticas ao projeto
A vereadora do Juntos Somos Coimbra, Ana Cortez Vaz, afirmou reconhecer “o mérito dos objetivos do projeto”, mas sustentou que a proposta apresentada ao executivo é «insuficientemente fundamentada para justificar a atribuição do apoio financeiro previsto».
"Estamos perante uma associação constituída apenas em abril de 2026 e um projeto apresentado sobretudo em termos conceptuais, sem um plano operacional detalhado, sem metas quantificadas, sem indicadores de avaliação e sem identificação do universo de beneficiários".
Segundo a informação tornada pública, o projeto da Maré Dialética prevê desenvolver várias atividades ao longo de 12 meses dirigidas a famílias, comunidades vulneráveis, migrantes e idosos. A oposição criticou a ausência de metas quantificadas e de indicadores que permitam avaliar o impacto do apoio.
Ligações políticas e reacções
O PSD de Coimbra emitiu um comunicado onde questiona a oportunidade do financiamento, apontando para uma situação em que a responsável pela associação, Élia Ramalho, terá apoiado publicamente a candidata Ana Abrunhosa e disponibilizado o espaço A Fábrica para ações de campanha. No comunicado, os sociais‑democratas descrevem a decisão como a combinação de “dinheiro público, processo mal fundamentado, e uma beneficiária com ligação direta à campanha de quem agora aprova o apoio”.
Do lado da vereação que aprovou a iniciativa, o vice‑presidente da Câmara com a pasta da Educação, Miguel Antunes, defendeu a pertinência de poder utilizar o espaço A Fábrica, situado na Baixa, para acolher atividades previstas no projeto. A proposta foi aprovada apesar dos pedidos de adiamento e de pedidos de informação mais detalhada, nomeadamente por parte do vereador da Iniciativa Liberal, Celso Monteiro, que classificou a proposta como “extremamente genérica”.
- Beneficiário: Associação Maré Dialética (constituída em abril de 2026)
- Montante aprovado: 15 000 euros
- Duração prevista do projeto: 12 meses
- Grupos-alvo: famílias, comunidades vulneráveis, migrantes e idosos
As dúvidas levantadas pela oposição centram‑se tanto na metodologia de avaliação do projeto como nas eventuais proximidades entre a responsável pela associação e atores políticos locais. No entanto, a proposta seguiu para votação e recebeu os votos favoráveis da coligação liderada pelo PS/Livre/PAN.
Impacto local e próximos passos
Para os residentes e instituições locais, a decisão abre possibilidades de novos serviços dirigidos a públicos vulneráveis, mas também acende um debate sobre transparência e critérios na atribuição de apoios municipais. A falta de um plano operacional detalhado e de indicadores pode dificultar o escrutínio público e a avaliação do impacto das atividades financiadas.
| Actor | Posição |
|---|---|
| Maré Dialética | Beneficiária do apoio |
| Coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN) | Votos favoráveis |
| Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS‑PP/IL/...) | Votos contra / críticas |
Os munícipes que pretendam acompanhar a execução do projeto ou obter clarificações sobre os critérios de atribuição podem solicitar informação ao gabinete da Câmara responsável pela gestão dos apoios e acompanhar as deliberações municipais que regulamentam este tipo de financiamentos.