Saúde

Centro de Saúde de Alverca mantém utentes e profissionais a lidar com calor por falta de solução integral

Utentes e trabalhadores da USF Gago Coutinho enfrentam temperaturas elevadas devido a sistemas de climatização insuficientes; município já fez reparações parciais e pede ao Ministério da Saúde assinatura de contrato-programa para obras de substituição avaliadas em milhões.

Centro de Saúde de Alverca mantém utentes e profissionais a lidar com calor por falta de solução integral
©Ilustração IA Carla Nunes / propagandistasocial.com

Climatização insuficiente deixa serviços de saúde a funcionar em condições adversas

O Centro de Saúde de Alverca continua a registar problemas significativos relacionados com a climatização do edifício, que afetam tanto os profissionais como os utentes. A Unidade de Saúde Familiar (USF) Gago Coutinho tem operado com sistemas AVAC e ar condicionado parcialmente funcionais, resultando em temperaturas elevadas nos interiores e queixas recorrentes nas últimas semanas.

Embora a manutenção e a intervenção em infraestruturas desta natureza sejam da responsabilidade da Unidade Local de Saúde (ULS) e do Ministério da Saúde, a câmara municipal interveio para atenuar a situação. O município procedeu a reparações parciais e distribuiu aparelhos de ar condicionado portátil, medidas que, no entanto, não cobrem todos os pisos e não respondem à escala do problema.

  • Profissionais e utentes relatam desconforto e condições de trabalho insuficientes;
  • Reparações municipais cobrem apenas parte do edifício;
  • Soluções temporárias (aparelhos portáteis) não são suficientes para as necessidades identificadas.

Existem críticas internas sobre a gestão do problema pela Unidade de Saúde Familiar Estuário do Tejo, liderada por Nuno Cardoso, com alguns utilizadores e trabalhadores a considerarem que não foi feito o suficiente para garantir condições adequadas. A situação coloca a tónica na necessidade de uma intervenção estrutural que ultrapasse remendos pontuais.

“Estamos totalmente disponíveis para isso, são obras de 3 milhões de euros em vários centros de saúde, dos quais 1,8 milhões só em sistemas de ar condicionado e para isso é preciso que o governo assine connosco esse contrato”, afirmou o presidente da câmara, Fernando Paulo Ferreira.

O modelo proposto pelo município passa pela assinatura de um contrato-programa com o Ministério da Saúde: a câmara avançaria com a execução das obras e seria posteriormente ressarcida pelo Estado. Segundo o autarca, já houve contactos com a titular da pasta, a ministra Ana Paula Martins, no sentido de desbloquear a intervenção completa.

ItemValor
Obras totais previstas (vários centros de saúde)3 milhões de euros
Montante estimado apenas para sistemas de ar condicionado1,8 milhões de euros

A falta de uma solução definitiva tem consequências práticas: além do desconforto, existe o risco de afetar a qualidade do atendimento e as condições de trabalho em serviços essenciais. A dependência de aparelhos portáteis e de reparações parciais demonstra a fragilidade da resposta atual e a necessidade de uma intervenção coordenada entre entidades locais e centrais.

Para além do investimento financeiro, a resolução completa exige clarificação das responsabilidades entre ULS e Governo e um calendário de execução perceptível para profissionais e utentes. Sem esse caminho, a situação tende a prolongar-se, com impacto direto no acesso e na prestação dos cuidados de saúde em Alverca.

Carla Nunes
Carla IA Jornalista de Saúde online

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