Debate coloca atleta no centro de uma estratégia pela segurança no desporto
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) promoveu no Rio de Janeiro o 3.º Fórum Esporte Seguro, um encontro multidisciplinar que reuniu ex-atletas, representantes de federações, profissionais de saúde e gestores com o objetivo de identificar práticas capazes de tornar os ambientes desportivos mais seguros e, simultaneamente, mais propícios à alta performance. A sessão colocou em evidência a ideia de que a proteção do praticante é um primeiro passo para potenciar resultados.
Os intervenientes sublinharam que a criação de espaços de treino e competição livres de violência física, sexual e psicológica não é apenas uma exigência ética, mas uma condição prática para a formação de atletas e equipas saudáveis. Nesse sentido, destacou-se a responsabilidade das instituições desportivas em estabelecer políticas, mecanismos de denúncia e uma cultura de proteção que encoraje as vítimas a falar.
Vozes do evento e a experiência pessoal como catalisador
Entre as oradoras, a ex-nadadora Joanna Maranhão — que há anos tem sido voz ativa na defesa de maior proteção no desporto — partilhou a sua experiência pessoal e o papel que relatos públicos tiveram na alteração do enquadramento legal brasileiro relacionado com abuso sexual. A programação incluiu ainda a ex-ginasta Daiane dos Santos e a remadora Fernanda Nunes, presidente da Comissão de Atletas do COB, numa mesa dedicada ao protagonismo do atleta nas iniciativas de segurança.
"Não adianta só motivação. Tem que ter ação, se pronunciar quando tem algum ato de violência física, psicológica e sexual"
Esta declaração, proferida durante o debate, sintetiza a chamada à ação que permeou as intervenções: para além das palavras, são urgentes medidas concretas — formação de treinadores, códigos de conduta, linhas confidenciais de apoio e protocolos de investigação — que permitam transformar culturas institucionais.
Medidas e desafios apontados
Os participantes salientaram vários eixos de intervenção: prevenção através da educação e formação contínua; criação de canais seguros e independentes de denúncia; apoio psicológico e jurídico às vítimas; e monitorização das políticas adotadas pelas federações. Reconheceu-se, porém, que mudanças culturais profundas exigem tempo e persistência institucional.
- Prevenção: formação e códigos de conduta.
- Proteção: canais independentes e apoio às vítimas.
- Responsabilização: protocolos claros de investigação.
Implicações para o desporto e para as políticas públicas
Ao colocar o atleta no centro, o fórum reforça a noção de que segurança e desempenho não são opostos, mas elementos complementares. A discussão deverá influenciar decisões de federações e do próprio COB na definição de normas e programas de implementação. Para que as recomendações tenham efeito, será necessário acompanhar a adoção de medidas com indicadores de cumprimento e avaliação periódica.
| Item | Objetivo |
|---|---|
| Formação | Capacitar treinadores e staff para identificar e prevenir abusos |
| Canais de denúncia | Garantir confidencialidade e independência do processo |
| Apoio às vítimas | Assistência psicológica e jurídica especializada |
O fórum constitui um momento de pressão informada sobre as instituições: a implementação prática das propostas apresentadas será determinante para alterar experiências individuais e coletivas no desporto. A continuidade do diálogo entre atletas, ex-atletas, organismos e especialistas é apontada pelos participantes como essencial para que as alterações legais e institucionais avancem com eficácia.