Um levantamento internacional sobre operações de interferência externas aponta um aumento significativo destas ações desde o início da invasão russa à Ucrânia, em 2021, e identifica Portugal entre os países europeus que já sofreram tentativas de manipulação informativa e ciberataques. A análise, coordenada pelo Instituto para o Diálogo Estratégico, sintetiza incidentes documentados na Europa e na América do Norte e expõe uma tendência de incremento, sobretudo protagonizada por Moscovo.
Escalada e geografias mais atingidas
Segundo os dados compilados, as campanhas de desinformação e outras formas de interferência triplicaram desde 2021. Atualmente, cerca de 70% das operações identificadas estão associadas à Rússia, com a China e o Irão a surgirem também como fontes relevantes destas iniciativas. Em termos agregados, a Europa registou 447 incidentes desde 2011, um número que supera largamente os 139 contabilizados nos Estados Unidos.
Portugal no mapa das operações
O rastreador assinala três incidentes relacionados com o Estado português. Um deles — considerado pelo consultor de risco ouvido como o único com real impacto — ocorreu na sequência do apagão ibérico, quando surgiram vídeos manipulados que atribuíram às sanções à Rússia a responsabilidade pelo sucedido.
“apenas um tem realmente relevância”
Fontes especialistas sublinham que esse episódio se insere numa campanha mais ampla de contestação e de aproveitamento de eventos domésticos para acelerar narrativas favoráveis ao emissor. As manipulações foram amplamente partilhadas e rapidamente circularam em plataformas internacionais.
- 33 incidentes já identificados em 2026, até ao momento da compilação;
- 230 ocorrências relacionadas com operações de informação desde o início da monitorização;
- Países do leste europeu são alvos frequentes devido a interesses geopolíticos específicos.
Consequências e desafios para a segurança democrática
O relatório coloca em evidência dois desafios concretos: a vulnerabilidade do espaço comunicacional e a sofisticação crescente das técnicas usadas, desde vídeos falsificados a campanhas coordenadas em redes sociais. Para analistas de segurança e consultores de risco, isto implica a necessidade de reforçar mecanismos de verificação, investir em capacidade de resiliência cibernética e potenciar cooperação internacional para rastrear e mitigar operações coordenadas.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Incidentes na Europa (desde 2011) | 447 |
| Incidentes nos EUA (desde 2011) | 139 |
| Operações de informação identificadas | 230 |
Para Portugal, os especialistas alertam que a perceção pública e a confiança nas instituições são alvos estratégicos destes atores. A resposta passa por maior transparência nas comunicações oficiais, campanhas de literacia mediática para o público e mecanismos que permitam detetar e neutralizar conteúdos manipulados antes que se tornem virais.
Em suma, o relatório demonstra que a interferência externa deixou de ser um fenómeno pontual para se tornar um vector persistente e multifacetado, que exige atenção integrada entre autoridades políticas, empresas tecnológicas e meios de comunicação social.