Disputa interna coloca em causa o pós-eleitoral no PS de Coimbra
O ambiente na concelhia do PS de Coimbra continua tenso após as eleições internas de 21 de junho. O presidente reeleito, Ricardo Lino, respondeu hoje às contestações apresentadas pelo seu adversário, Rui Claro, qualificando como de «sonso», «hipócrita» e «cobarde» o comportamento de quem pediu a intervenção do Ministério Público e requereu a suspensão da eficácia do ato eleitoral.
A contestação formal apresentada por Rui Claro e por elementos que apoiaram a sua lista inclui a alegação de que existiam 2.750 militantes inscritos irregularmente no caderno eleitoral e refere pagamentos massivos de quotas efectuados antes do sufrágio interno.
“É sonso, é hipócrita e é cobarde porque falta ao respeito a todos os militantes do partido ao tentar bloquear o órgão”, afirmou Ricardo Lino à agência Lusa.
Ricardo Lino contrapõe as acusações com a remessa de um e-mail em que Rui Claro apontava para cerca de uma dúzia de pessoas que não constavam do caderno eleitoral, anexando comprovativos de pagamentos. Segundo Lino, os comprovativos anexados mostram essencialmente o pagamento de uma só pessoa, relacionado com a Secção de Santa Clara, num total de 750 euros, o que, na sua visão, não configura um pagamento massivo capaz de invalidar o processo.
- Data do ato eleitoral: 21 de junho
- Reclamação dos contestatários: 2.750 militantes alegadamente inscritos irregularmente
- Alegação de pagamento: comprovativos que, segundo Lino, referem essencialmente uma dúzia de pessoas e um pagamento de 750 euros
Na sequência das eleições, teve lugar a tomada de posse dos órgãos do PS local, cerimónia em que Rui Claro e elementes da sua lista decidiram não marcar presença. Ricardo Lino considerou essa ausência uma demonstração de falta de espírito democrático e defendeu que as questões internas não justificam a tentativa de bloqueio do funcionamento dos órgãos eleitos.
| Elemento | Reivindicação / Observação |
|---|---|
| Rui Claro | Apresentou queixa-crime e providência cautelar alegando inscrições irregulares (2.750 militantes) |
| Ricardo Lino | Afirma que os anexos revelam essencialmente pagamentos de uma dúzia de pessoas e um pagamento de 750€; nega pagamento massivo pela sua lista |
| Américo Baptista | Nome mencionado como candidato à distrital que integrou a contestação |
O desacordo revela fragilidades internas e suscita dúvidas sobre a transparência dos processos de regularização de militantes antes do ato eleitoral. Para os filiados e para a opinião pública local, a questão coloca uma exigência de clarificação, quer quanto aos procedimentos internos quer quanto às responsabilidades individuais na verificação dos cadernos eleitorais.
Até que o Ministério Público e os tribunais ou os órgãos competentes do partido pronunciem-se sobre as queixas e pedidos de providência cautelar, a concelhia permanecerá sob o escrutínio dos militantes e de quem acompanha a política local, com implicações potenciais para a imagem e funcionamento do PS em Coimbra.