Imagens difundidas nas redes sociais mostraram um BYD Tang a circular em Shenyang, na China, com o aparente conjunto do motor traseiro solto e a arrastar-se pela estrada. Segundo relatou a agência Sina, citando o China Securities Journal, a fabricante explicou que o incidente resultou da colisão com um objeto oculto pela água numa zona inundada, e não de um defeito de fabrico do veículo.
O que as imagens revelam
Os vídeos, captados num dia de chuva, mostram estradas alagadas e uma estrutura metálica desprendida a ser arrastada atrás do veículo. A cena levantou de imediato questões sobre a resistência de componentes de veículos elétricos em condições de água e sobre os riscos de conduzir em zonas inundadas.
“Resistência à água não significa poder conduzir dentro de água”
A bateria Blade da BYD reivindica conformidade com os padrões IP67 e IP68, que asseguram níveis de resistência à água. Contudo, a marca sublinha que essa protecção se refere à intrusão de água nos componentes e não à segurança face aos perigos ocultos sob a água. O próprio vice-presidente executivo da BYD, He Zhiqi, já tinha alertado para obstáculos invisíveis em zonas alagadas — pedras ou detritos que podem danificar a parte inferior dos veículos.
Riscos e responsabilidades
Este caso ilustra dois pontos complementares:
- As classificações IP protegem contra penetração de água, mas não contra o impacto com objetos submersos.
- Conduzir em zonas inundadas expõe veículos a danos mecânicos graves, independentemente do tipo de propulsão.
Para consumidores e operadores de frota isto significa que a resistência à água anunciada pelos fabricantes não elimina a necessidade de prudência em travessias ou vias inundadas. Do lado dos construtores, há também a necessidade de comunicar claramente os limites dessas protecções e de avaliar os pontos vulneráveis na estrutura inferior dos modelos.
| Classificação | Significado |
|---|---|
| IP67 | Protecção contra imersão temporária até 1 metro (condições definidas pelo fabricante). |
| IP68 | Protecção contra imersão prolongada e/ou maior profundidade, conforme especificado pelo fabricante. |
Nota: as designações IP referem-se à resistência à entrada de água e poeira; não certificam a resistência a impactos com objetos submersos nem a integridade estrutural após colisões com detritos.
Consequências práticas
Para além do choque visual das imagens, o episódio pode ter impacto na perceção pública sobre veículos elétricos e na forma como os fabricantes comunicam limitações técnicas. Seguem algumas implicações imediatas:
- Consumidores podem exigir esclarecimentos mais precisos sobre o que as certificações IP cobrem.
- Autoridades de segurança rodoviária e seguradoras poderão reavaliar directrizes e apólices relativas a condução em zonas inundadas.
- Montadoras devem reforçar advertências sobre riscos de condução em água e, se necessário, rever protecções da parte inferior dos veículos.
Em resumo, as imagens do BYD Tang em Shenyang não apontam, segundo a marca e a imprensa local, para um defeito de fabrico, mas para os perigos inerentes a conduzir em zonas alagadas. A lição prática é clara: a resistência à água dos componentes não equivale a carta branca para atravessar enchentes — e os obstáculos que a água esconde podem causar danos graves e inesperados.