Estudo internacional quantifica ganhos económicos e apela a decisões públicas
O contacto regular com espaços naturais traduz-se em benefícios mensuráveis para a saúde mental e acarreta vantagens económicas significativas, conclui uma investigação liderada pela Universidade Griffith, na Austrália, publicada na revista Communications Health. Os autores estimam que a exposição frequente a ambientes naturais gere ganhos avaliados em cerca de 4,3 biliões de euros por ano, e sublinham a necessidade de políticas que ampliem o acesso da população à natureza.
Benefícios para o bem‑estar e para a economia
A equipa de investigação refere que a presença em parques, áreas verdes e espaços naturais melhora o bem‑estar psicológico, contribui para a redução de sintomas de ansiedade e depressão e pode elevar a produtividade laboral. Para além do valor estimado em euros, o estudo apresenta outras magnitudes económicas que enquadram a oportunidade de investimento público e privado:
- Ganhos imputados aos parques nacionais e áreas verdes: 7 biliões de dólares australianos por ano, resultantes das melhorias na saúde mental e da redução de custos em cuidados de saúde.
- Despesas globais com deslocações e tempo para visitar espaços naturais: cerca de 1 bilião de dólares norte‑americanos por ano.
| Item | Valor |
|---|---|
| Benefício anual estimado (saúde mental) | 4,3 biliões € |
| Benefício anual de parques e áreas verdes | 7 biliões AUD |
| Custos de deslocação e tempo | 1 bilião USD |
Autoras e apelos à ação pública
Os investigadores advogam que, apesar do corpo de evidência que liga natureza e saúde mental, esta abordagem continua subaproveitada nos sistemas de saúde e nas estratégias de promoção do bem‑estar. Defendem uma integração mais explícita do acesso a espaços naturais nas políticas públicas, como forma de prevenção, redução de encargos clínicos e de promoção de produtividade.
"As pessoas precisam da natureza para combater o esgotamento físico e emocional", afirmou Paula Brough, diretora do Centro para o Trabalho, Organização e Bem‑Estar da Universidade Griffith e coautora do trabalho.
Ralf Buckley, professor emérito e coautor, reforça a correlação entre visitas a parques nacionais e melhorias tanto na saúde mental como no desempenho no trabalho, acrescentando que os principais beneficiários são frequentemente os empregadores e os sistemas de saúde, enquanto os cidadãos suportam os tempos e custos de deslocação.
Desafios de equidade no acesso
O estudo alerta ainda para desigualdades no acesso a espaços naturais: uma parte relevante da população não dispõe de facilidade para frequentar áreas verdes, seja por motivos geográficos, económicos ou de mobilidade. Os autores consideram que políticas públicas que reduzam essas barreiras — por exemplo, através de planeamento urbano, criação de parques urbanos e facilitação de transportes — podem amplificar os benefícios identificados.
Para além da argumentação em termos de saúde e de produtividade, a investigação apresenta um argumento económico claro para investir em infraestruturas naturais: os benefícios estimados colocam‑se numa ordem de grandeza que pode justificar intervenções estruturais coordenadas entre ministérios da saúde, ambiente e planeamento.
Num momento em que os decisores procuram soluções de prevenção em saúde mental e formas de optimizar recursos, o relatório da Universidade Griffith surge como um contributo quantificado para enquadrar decisões sobre espaços verdes e políticas públicas de bem‑estar.