Um bosque móvel para o centro histórico de Évora
O projeto Floresta Nómada, considerado um dos eixos estruturantes de Évora_27 — Capital Europeia da Cultura, prevê a criação de um novo espaço verde no Rossio de São Brás composto por canteiros móveis que integrarão cerca de 1 000 árvores de grande porte e centenas de arbustos e pequenas árvores. A proposta é da autoria do arquiteto paisagista holandês Bruno Doedens e destina-se a responder tanto a desafios ambientais como ao funcionamento cultural da praça.
As árvores serão colocadas em grandes recipientes sobre rodas, permitindo que a configuração do espaço se altere ao longo do ano e se articule com as atividades previstas no Rossio. Além da componente cénica e programática, o conceito aponta para um legado físico: plantas de médio porte e pequenas serão posteriormente entregues aos habitantes locais, com vista à plantação no Parque Ambiental de São Bento de Cástris, garantia de expansão do espaço verde para além da cidade muralhada.
“É um projeto artístico que vai habitar a cidade, vai estruturar o Rossio de São Brás com um novo jardim, um novo espaço florestal e ambiental, mas lá dentro vai ter vida.”
A direção do projeto sublinha que as espécies escolhidas serão autóctones e adaptadas ao clima alentejano, divergindo das utilizadas na versão anterior do projeto em Leeuwarden, nos Países Baixos, precisamente por razões climáticas. A intenção é conjugar valor artístico, benefícios ambientais e apropriabilidade comunitária, integrando atividades culturais, iniciativas participativas e ações de sensibilização ao longo dos dez meses do calendário da Capital Europeia da Cultura.
Impactos previstos e mecanismo de legado
A proposta mistura soluções paisagísticas móveis com um plano de legado físico e social. Entre os aspetos destacados na apresentação do projeto estão:
- Criação de um novo «jardim» urbano no Rossio de São Brás, com sombreamento e frescura;
- Utilização de espécies autóctones adaptadas ao clima local;
- Distribuição de cerca de 500 árvores, arbustos e plantas pequenas aos eborenses para posterior plantação no parque ambiental;
- Programação cultural integrada no espaço durante a duração da Capital Europeia da Cultura.
O caráter móvel do sistema permite que o Rossio assuma diferentes configurações consoante as necessidades programáticas — de espetáculos a iniciativas comunitárias — sem perder a materialidade de um bosque urbano. A escolha de espécies locais visa reduzir necessidades de rega e manutenção e promover resiliência face ao clima mediterrânico do Alentejo.
| Elemento | Quantia prevista |
|---|---|
| Árvores de grande porte | ~1 000 |
| Árvores e arbustos de médio porte e pequenas plantas | ~500 (para distribuição) |
Para além do impacto visual e das ofertas programáticas, o projeto assume um objetivo ambicioso de deixar «legado verde» à cidade: as plantas distribuídas no dia do aniversário da Capital Europeia da Cultura destinam-se a reforçar o Parque Ambiental de São Bento de Cástris, criando uma nova área florestal acessível aos munícipes.
A integração de arte, paisagismo e participação comunitária posiciona a Floresta Nómada como um exemplo de intervenção urbana que pretende ser simultaneamente efémera e permanente: efémera na sua montagem e variações ao longo da programação cultural; permanente no legado físico e na alteração do imaginário urbano de Évora.