A autoridade responsável pelos exames nacionais, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), anunciou que irá considerar duas respostas como correctas num item do exame de Física e Química aplicado na 2.ª fase. A decisão surge depois de ter sido detectado um erro nos critérios de classificação desse item e do conhecimento de pareceres externos de associações científicas.
O que aconteceu
O incidente reporta‑se ao item 5.2 da prova, cuja formulação pedia aos alunos que relacionassem alterações de pressão e temperatura com o equilíbrio químico de uma mistura gasosa, manifestado pela mudança de cor. Inicialmente, o EduQA considerou que apenas uma das opções se alinhava com as Aprendizagens Essenciais previstas para a disciplina no ensino secundário e manteve a chave de resposta original.
Intervenções externas e revisão
A Associação Portuguesa de Professores de Física e Química (APPFQ) alertou para um erro nos critérios de classificação. Na sequência, a Sociedade Portuguesa de Química (SPQ) também opinou, defendendo que duas das opções mereciam ser consideradas correctas. O EduQA analisou esses pareceres e acabou por reconhecer que a opção B, em ambas as versões da prova, é "cientificamente legítima e válida num nível mais avançado da aprendizagem de Química".
"Assim, analisados os pareceres da APPFQ e da SPQ (...) e de modo a não penalizar alunos que eventualmente tenham assumido a opção B como a opção correta, resulta que a chave de resposta a considerar como final passa a ser, na versão 1, as opções B e D e, na versão 2, as opções A e B"
Medida aplicada e implicações práticas
O Instituto decidiu, portanto, alterar a chave de resposta final para não prejudicar alunos que justificadamente escolheram a opção B com base num raciocínio termodinâmico que, embora não previsto nas aprendizagens do secundário, é correcto num contexto mais avançado.
- Versões do exame: versão 1 e versão 2 aplicadas na prova;
- Alteração da chave: aceitação de duas respostas em cada versão conforme comunicado;
- Data da realização: a prova da 2.ª fase foi realizada no dia 24 de julho e visou alunos do 11.º ano.
| Versão | Chave original | Chave final |
|---|---|---|
| Versão 1 | D (segundo EduQA inicial) | B e D |
| Versão 2 | A (segundo EduQA inicial) | A e B |
Para pais e alunos, a consequência imediata é clara: os resultados desses alunos não deverão ser penalizados por terem escolhido a opção B. Para professores e escolas, o caso evidencia a importância de a formulação e os critérios de classificação dos exames estarem alinhados não só com as Aprendizagens Essenciais como também com interpretações científicas que possam surgir em diferentes níveis de conhecimento.
O episódio coloca ainda questões sobre os mecanismos de revisão e consulta utilizados pelo EduQA antes da publicação das chaves de correcção e sublinha a utilidade dos pareceres de sociedades científicas e associações disciplinares na clarificação de dúvidas técnicas.
O instituto veio agora corrigir o processo para salvaguardar os alunos do 11.º ano que realizaram a segunda fase, evitando repercussões negativas nos resultados finais e nos percursos académicos imediatos dessas turmas.