Contexto e declaração do empresário
Um empresário de Barcelos, ligado à empresa Construbarcelos, confirmou ter acolhido no seu armazém em Perelhal material apreendido pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito de uma operação anti-droga. A intervenção do empreiteiro surge no centro de uma polémica que atravessa também a esfera política nacional, por ter ligações a um ministro que foi, anteriormente, diretor nacional da PJ.
Em declarações reproduzidas pela comunicação social, o responsável explicou que se ofereceu para guardar o equipamento quando verificou preocupação por parte dos elementos da polícia no local. Sobre a contraprestação, o empresário assegura que não recebeu qualquer pagamento.
“Ofereci-me. Foi em Évora, na obra que estava a fazer para a PJ. Vi o diretor financeiro um bocado preocupado e disse-lhe: ‘Tenho lá um espaço grande, quase dois mil metros quadrados, posso guardar isso'”.
Factos confirmados e números
Do relato público constam factos concretos: o atrelado apreendido viajou do Seixal até Barcelos escoltado pela PJ, sem documentação de transporte, e os bidões foram retirados do atrelado e acondicionados no armazém do empresário. Foi referido também que os bidões estavam “bem acondicionados” e “selados” quando inspecionados.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Bidões apreendidos | 62 |
| Valor de contratos públicos atribuídos à Construbarcelos (2020–2025) | €1,9 milhões |
| Área do armazém citada | ~2 000 m² |
Repercussões locais e inquérito público
Para os habitantes de Barcelos, a notícia põe em evidência duas questões práticas: a presença, no concelho, de material relacionado com uma investigação nacional e a utilização de instalações privadas para a guarda desse material. A situação levanta também questões sobre os procedimentos administrativos e de cadeia de custódia quando provas ou materiais apreendidos circulam fora de equipamentos oficiais.
- O material foi transportado do Seixal até Barcelos com escolta da PJ;
- Os bidões permaneceram no armazém do empresário na freguesia de Perelhal;
- Há referência a um despacho que, segundo notícia, determinou a destruição dos bidões em dezembro de 2024.
Ligação política e investigação mediática
A polémica intensificou-se após a publicação de informações sobre obras e contratos que ligam a mesma empresa a intervenções efectuadas quando o atual ministro era diretor nacional da PJ. A empresa em causa e o ministro já surgiram em notícias subsequentes, confirmando o valor global dos contratos com o setor público. Estas conexões são, por ora, matéria de cobertura mediática e suscitam interrogantes públicos que poderão ter desdobramentos legais ou administrativos.
No plano local, a prioridade para os cidadãos é o esclarecimento sobre a natureza do material guardado no concelho, a conformidade dos procedimentos policiais e administrativos seguidos, e a garantia de transparência nas relações entre empresas locais e entidades públicas.