As escalas de serviço do último fim de semana expuseram uma situação crítica nas urgências de Braga e sinais de pressão também nas unidades da Grande Lisboa. Registos oficiais consultados pelo DN indicam turnos com ausência de clínicos em áreas essenciais e alertam para um protesto que pode prolongar-se se não houver negociação.
Escalas e ausência de médicos
De acordo com as escalas aprovadas, no turno da manhã de sexta‑feira, que iniciou às 08h30, a área das medicinas estava assegurada por 4 médicos. No entanto, à noite não havia qualquer profissional nessa área, ficando disponível apenas 1 médico na cirurgia. O padrão repetiu‑se com variações durante o fim de semana: sábado de dia com 6 médicos nas medicinas e nenhum na cirurgia; à noite, nenhum em medicina e só 1 em cirurgia. No domingo estiveram 3 nas medicinas e nenhum na cirurgia; já à noite, um médico por área.
| Dia/Período | Medicina | Cirurgia |
|---|---|---|
| Sexta (manhã) | 4 | — |
| Sexta (noite) | 0 | 1 |
| Sábado (dia) | 6 | 0 |
| Sábado (noite) | 0 | 1 |
| Domingo (dia) | 3 | 0 |
| Domingo (noite) | 1 | 1 |
Protesto e origem do problema
Fontes hospitalares informaram que médicos tarefeiros, que habitualmente cobrem turnos nas urgências, não compareceram como forma de protesto. Estes profissionais exigem há mais de um ano a renegociação do valor hora que recebem. Segundo as mesmas fontes, a direção do serviço e a direção clínica tinham conhecimento prévio da intenção de protesto e só na véspera pediram aos médicos do quadro para colmatar as falhas.
“sempre que considerem não estarem reunidas as condições
Os representantes sindicais já intervieram relativamente à situação de Braga: o Sindicato dos Médicos do Norte, integrado na Federação Nacional dos Médicos, emitiu recomendações aos clínicos face às condições registadas.
- Os profissionais em prestação de serviço reclamam um aumento do valor/hora e fazem pressão com faltas concertadas.
- As direções hospitalares admitiram conhecimento da situação, mas procuraram colmatar faltas apenas na véspera dos turnos afetados.
- A Península de Setúbal e as unidades de Loures/Vila Franca de Xira já sentiram constrangimentos semelhantes, nomeadamente por falta de vagas em blocos de partos.
Para esta segunda‑feira, as escalas previstas apontavam para apenas 3 médicos nas medicinas durante o dia e 2 na cirurgia, segundo as mesmas fontes, o que reforça o risco de manutenção dos constrangimentos se a negociação não avançar. Os médicos tarefeiros avisaram que, sem acordo, o protesto poderá estender‑se a agosto — altura de maior procura por parte dos utentes — apesar de, segundo os interlocutores, tal situação poder ter sido evitada.
O impacto prático para os utentes traduz‑se em maior pressão sobre outros serviços, risco de tempos de espera prolongados e potencial sobrecarga das urgências de referência. Nas unidades da Grande Lisboa, as urgências regionais de ginecologia‑obstetrícia criadas para evitar encerramentos também enfrentaram falta de recursos humanos durante a semana, evidenciando uma pressão alargada na rede de cuidados.
Enquanto se aguarda uma negociação entre os profissionais em prestação de serviço e as administrações, a população local deverá procurar informação junto das administrações hospitalares sobre a capacidade assistencial programada e considerar alternativas de contacto, incluindo centros de saúde e linhas de orientação clínica, sobretudo para situações que não coloquem imediato risco de vida.