Uma contagem coordenada pela Universidade dos Açores documentou a presença de 1.577 peças de equipamento de pesca de lagosta de origem norte-americana nas praias das faces sul das ilhas do Faial e do Pico. O material foi recolhido entre 2017 e 2025 com o apoio de voluntários locais e analisado por uma equipa liderada por Christopher K. Pham do grupo de lixo marinho.
Origem identificável e longevidade do plástico
Entre os itens legíveis, 63% eram provenientes dos Estados Unidos e 37% do Canadá. Das etiquetas americanas com estado identificável, 80% referiam-se ao Maine. Algumas etiquetas chegaram às ilhas até 36 anos após terem sido registadas, evidenciando a persistência do plástico no ambiente marinho e a capacidade de transporte por longas distâncias.
As etiquetas, exigidas por regulamentos nos Estados Unidos e no Canadá e com informação sobre licença, ano e área de pesca, funcionaram como documentos que permitiram estabelecer a proveniência do equipamento. A equipa salienta, porém, que a maioria do plástico que chega a ilhas remotas está fragmentada demais para identificar a atividade de origem.
- Período de recolha: 2017–2025
- Total de itens identificados: 1.577
- Itens identificáveis: 824 etiquetas; 601 aberturas de escape; 152 outros componentes
A investigação não é um levantamento sistemático da extensão total do equipamento de lagosta presente nas praias açorianas, mas sim uma contagem do material recolhido, alertando para a presença contínua deste tipo de resíduos nas frentes costeiras.
| Categoria | Número de itens |
|---|---|
| Etiquetas | 824 |
| Aberturas de escape | 601 |
| Outros (fechos, elásticos, etc.) | 152 |
O estudo, publicado a 27 de agosto na revista Environmental Monitoring and Assessment, baseou-se também na colaboração de pelo menos dez voluntários que enviavam material mensalmente. A identificação de números de licença e anos nas etiquetas permitiu traçar a rota de milhares de quilómetros percorridos por estes fragmentos de plástico.
Para as comunidades do Faial e do Pico, os resultados têm implicações práticas: além do impacto ambiental e paisagístico, o achado sublinha a necessidade de continuar e expandir o trabalho de monitorização costeira, educação ambiental e recolha organizada de lixo de praia. Também reforça o papel dos voluntários locais na deteção e documentação da poluição marinha.
Os autores lembram que redes ou equipamentos fragmentados podem ser difíceis de localizar quanto à origem — uma rede de arrasto encontrada numa praia pode ter origem muito distante — mas que as etiquetas numeradas fornecem uma exceção valiosa para estudos de proveniência e circulação de detritos no oceano.