Estudo europeu aponta necessidade urgente de renovar o parque edificado
Um relatório do Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia traçou, pela primeira vez, um mapa global da vulnerabilidade climática dos edifícios e concluiu que a Europa, por deter um parque edificado entre os mais antigos do mundo, terá de acelerar a reabilitação para responder ao aumento das temperaturas e diminuir as necessidades energéticas de aquecimento e arrefecimento.
O levantamento analisou mais de 2 000 milhões de edifícios a nível global e detectou que cerca de 43% dos edifícios existentes foram erguidos antes de 1980, numa altura em que as exigências de eficiência energética eram mais reduzidas ou inexistentes. Como consequência, o estudo estima que, actualmente, aproximadamente 48 milhões de pessoas vivem em áreas particularmente vulneráveis ao desconforto térmico, número que poderá crescer se não forem tomadas medidas.
Os investigadores chamam a atenção para uma mudança geográfica da vulnerabilidade: enquanto hoje esta se concentra sobretudo em zonas rurais e de clima frio — onde predominam habitações baixas, antigas e dispersas —, o aquecimento global tende a deslocá‑la para regiões mais quentes, ampliando o número de pessoas expostas até ao final do século.
Entre as recomendações para mitigar o problema, o JRC sublinha a prioridade da renovação do parque existente, com intervenções concretas como a substituição de janelas, o reforço do isolamento térmico e a melhoria da ventilação natural. Nas áreas rurais, além do isolamento, o relatório aponta a produção de energia solar como medida-chave para reduzir a dependência energética.
- Mais de 2 000 milhões de edifícios analisados;
- 43% do parque mundial construído antes de 1980;
- ~48 milhões de pessoas em áreas já consideradas particularmente vulneráveis;
- Portugal já beneficiará de 81,4 milhões de euros da UE para melhorar a eficiência energética de edifícios públicos.
O impacto desta situação em termos económicos e sociais é multifacetado. Edifícios pouco eficientes traduzem‑se em facturas energéticas mais altas para famílias e serviços públicos, aumento das emissões associadas ao aquecimento e arrefecimento, e maior exposição a eventos climáticos extremos. Para além disso, a necessidade de reabilitações em larga escala coloca desafios de planeamento, financiamento e de qualificação da mão de obra.
Do ponto de vista das políticas públicas, os resultados do JRC reforçam a urgência de integrar a reabilitação do edificado nas estratégias nacionais e comunitárias de adaptação climática e de eficiência energética, assegurando instrumentos financeiros e quadros regulatórios que permitam intervenções sistemáticas e justas.
| Dado | Valor |
|---|---|
| Edifícios analisados | 2 000 milhões+ |
| Percentagem pré‑1980 | 43% |
| Pessoas em áreas vulneráveis | 48 milhões |
| Financiamento para Portugal | 81,4 milhões € |
A concretização das recomendações do JRC exigirá coordenação entre governações nacionais, autoridades locais, setor privado e cidadãos. A eficiência do investimento dependerá da capacidade de priorizar intervenções com maior impacto energético e social, e de garantir que as medidas de reabilitação não deixem para trás populações vulneráveis.
Perante o cenário desenhado pelo estudo, a aposta em políticas públicas que acelerem a transição do parque edificado europeu para níveis de eficiência compatíveis com as metas climáticas é apresentada não só como um imperativo ambiental, mas também económico e social.