O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa do líder da FIFA, Gianni Infantino, depois de três confederações continentais terem exigido a sua demissão na sequência de um projeto — entretanto suspenso — que previa a entrada de capital privado nas actividades comerciais da entidade. Numa publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que a substituição de Infantino seria um "erro terrível".
O posicionamento do responsável norte-americano assinala a dimensão política que envolveu o debate sobre a proposta da FIFA de vender até 20% de uma nova empresa comercial a investidores privados, com um objetivo de angariação de até 4,2 mil milhões de dólares (equivalente a 3,64 mil milhões de euros). A ideia gerou críticas, em parte pela identificação de potenciais investidores ligados a figuras próximas de Trump.
"A FIFA estaria a cometer um erro terrível se, por qualquer motivo, considerasse substituir o seu presidente Gianni Infantino"
No seu texto, Trump qualificou Infantino como "fantástico" e enfatizou o êxito do último Campeonato do Mundo: o Mundial 2026, organizado por Estados Unidos, México e Canadá, que foi descrito como o mais lucrativo de sempre, com receitas próximas de 15 mil milhões de dólares (cerca de 13 mil milhões de euros).
Além destas menções, o texto recorda episódios já tornados públicos, como a intervenção de Trump durante o torneio para pedir a suspensão de um cartão vermelho a um jogador dos EUA, bem como a criação por Infantino do "Prémio FIFA da Paz", que em dezembro foi atribuído ao Presidente dos EUA. Estes factos destacam os laços e a proximidade entre a liderança da FIFA e o atual Executivo norte-americano.
Consequências e pontos de tensão
- A contestação formal das confederações europeia (UEFA), da América do Norte (CONCACAF) e asiática (AFC) por uma "quebra de confiança" na liderança da FIFA.
- O impacto sobre a governação e transparência da FIFA caso a proposta de capital privado venha a ser reavivada ou revista.
- O risco de politização crescente das decisões da entidade, com atores externos a publicarem apoios ou críticas internacionais.
Interferências políticas e interesses económicos tornam o futuro das propostas de comercialização da FIFA um tema sensível para federações nacionais, clubes e adeptos. Em Portugal, onde o futebol exerce forte peso social e económico, as decisões sobre propriedade e exploração comercial de direitos podem influenciar mercados de transmissões, patrocínios e calendários internacionais.
| Item | Valor (USD) | Equivalente (EUR) |
|---|---|---|
| Receitas do Mundial 2026 | 15 mil milhões | 13 mil milhões |
| Captação prevista pela venda até 20% | 4,2 mil milhões | 3,64 mil milhões |
À medida que o caso evoluir, a atenção irá convergir para eventuais investigações internas da FIFA, respostas das confederações e a reconfiguração de propostas financeiras. Para as federações e stakeholders portugueses, o acompanhamento destas decisões é crucial, dado o alcance que as alterações na estrutura comercial da FIFA terão sobre o ecossistema futebolístico mundial.