Um custo real para a eficiência das instituições
O alerta é directo: a ausência de mulheres nas mesas de decisão não é apenas uma questão de representação simbólica, mas gera consequências operacionais tangíveis. Há cerca de duas décadas, uma missão de segurança da União Europeia na fronteira entre Israel, Gaza e Egipto foi desenhada sem qualquer mulher nas equipas de planeamento. O resultado prático foi o envio de uma força 100% masculina que não dispunha de meios ou protocolo adequados para revista de civis do sexo feminino, criando um impasse operacional.
Este exemplo ilustra como a falta de diversidade nas instâncias superiores pode originar «pontos cegos» com custo humano e logístico. A leitura feita por especialistas sublinha que, quando decisões estratégicas são tomadas sem perspectivas femininas, a eficiência institucional é reduzida e desigualdades são perpetuadas.
Experiência e percurso profissional
Cristina Gallach, directora executiva interina da Global Women Leaders Voices, defende que garantir a presença de mulheres em cargos de autoridade e planeamento é essencial para evitar essas falhas. Gallach recorda o percurso iniciado no jornalismo nos anos 1980, quando as tarefas de apuração no terreno eram muitas vezes desempenhadas por mulheres, enquanto as decisões executivas permaneciam majoritariamente masculinas.
Foi sob a liderança de uma editora-chefe em Moscovo que Gallach reconheceu as possibilidades de progressão profissional com liderança feminina, e posteriormente, no serviço público e na diplomacia, beneficiou de redes de apoio e mentorias que impulsionaram a sua carreira durante a administração do então secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Nesse período, liderou a primeira estratégia de igualdade de género do Departamento de Informação Pública da ONU, alterando a forma como a organização aborda questões de género.
"Quanto custa a exclusão?"
Políticas, formação e resultados
Gallach sublinha o papel das redes de mentorias e de programas de capacitação para preparar mulheres a candidatar-se a cargos de liderança, reforçando autoconfiança e competências. Onde políticas públicas e formação são implementadas, os padrões institucionais tendem a mudar e a diversidade transforma processos decisórios.
- Exemplo prático: missões de segurança com equipas exclusivamente masculinas mostram lacunas operativas.
- Medidas defendidas: inclusão sistemática em planeamento, mentorias e formação direcionada.
- Impacto esperado: resposta mais eficaz a desafios complexos e redução de pontos cegos institucionais.
| Instância | Consequência |
|---|---|
| Missão de segurança UE (fronteira Israel/Gaza/Egipto) | Força 100% masculina levou a impasses no tratamento de mulheres civis |
| Estratégia ONU de Género (Departamento de Informação Pública) | Alterou a representação mediática e institucional de questões de género |
Para além do imperativo ético da igualdade, a argumentação que emerge destas evidências tem um foco pragmático: melhorar a capacidade de resposta das instituições a crises e necessidades diversas exige lideranças representativas. A implementação de políticas concretas — quotas, programas de formação e redes de mentorias — é apontada como caminho para mitigar riscos operacionais e promover decisões mais abrangentes.
O debate colocado por estes casos afirma-se, portanto, como uma prioridade não apenas para organizações internacionais, mas também para governos e instituições nacionais que procurem reforçar a eficácia e a justiça das suas políticas públicas.