Itinerância leva para Lisboa obra que parte da lã da Churra Algarvia
A mostra “Alinhados pela Mesma Lã”, concebida e apresentada inicialmente em Loulé no âmbito do projeto Loulé Criativo, abre no próximo dia 30 de julho às 18h30 na Galeria de Arte Moderna da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), em Lisboa. A exposição ficará patente até 29 de agosto, permitindo ao público lisboeta aceder a um trabalho ligado aos saberes tradicionais e aos recursos locais do Algarve.
O projeto resulta de uma residência artística que juntou artistas, artesãos e produtores locais em torno da matéria-prima proveniente da ovelha Churra Algarvia. Ao longo de vários meses, as sete criadoras acompanharam as diferentes fases do ciclo da lã — da tosquia à fiação — e transformaram essa matéria-prima em peças que cruzam arte contemporânea, design e património.
- Artistas participantes: Ana Soromenho, Cláudia Moreira, Luísa Leão, Maria Terra, Rita Martins Pereira, Rita Teles Garcia e Susana Mendez.
- Curadoria e conceção expositiva: Vasco Águas.
- Formação e parceria: equipa de formação de Paula e Pedro Neves e colaboração com a Associação Algarchurra.
A itinerância da exposição inclui já uma passagem pelo Madrid Design Festival 2026, antes de chegar a Lisboa, o que reforça a estratégia do Município de Loulé em promover os recursos endógenos e a criação contemporânea além do território concelhio. Para os responsáveis do município, este percurso pretende projetar a particularidade cultural e ambiental ligada à raça autóctone e fomentar redes entre criadores, produtores e públicos diversificados.
| Elemento | Detalhe |
|---|---|
| Inauguração | 30 de julho, 18h30 |
| Período de exposição | Até 29 de agosto |
| Horários de visita | Dias úteis: 12h00–19h00; Sábados: 14h00–19h00 |
| Local | Galeria de Arte Moderna, SNBA, Lisboa |
Para a comunidade de Loulé, a iniciativa tem dois efeitos concretos: por um lado, contribui para a preservação e divulgação da Churra Algarvia, raça ligada à identidade rural do Algarve; por outro, abre canais de comercialização e visibilidade para criadores e produtores locais, ao posicionar um projeto cultural do município em espaços de maior audiência nacional e internacional.
Além do valor simbólico e patrimonial, o trabalho desenvolvido envolve saberes técnicos e artesanais que podem estimular práticas económicas locais — desde a valorização da lã como matéria-prima até iniciativas de formação e de cooperação entre artistas e produtores. A presença da exposição em Lisboa é, portanto, também uma oportunidade para estabelecer contactos e provocar despontar de novas dinâmicas em torno do setor têxtil tradicionais no concelho.
Quem pretender visitar a mostra deverá programar a deslocação dentro dos horários disponíveis na SNBA. A itinerância da exposição ilustra a aposta continuada do município no cruzamento entre património, criação contemporânea e recursos endógenos, uma narrativa que parte de Loulé e procura afirmar-se fora do Algarve.