Uma reflexão pública sobre a paisagem ribeirinha de Almada
Abre no próximo sábado, 1 de agosto, no Solar dos Zagallos, na Sobreda, a exposição “Quem tem direito a olhar o rio?”, da artista Teresa Ribeiro. A mostra estará patente até 12 de setembro e propõe um olhar crítico sobre a relação entre a população e a frente ribeirinha de Almada, tomando como estudo de caso o Cais da Palença (também conhecido como Cais das Colunas).
A proposta artística parte da pergunta que lhe dá o título para fomentar o debate sobre o acesso ao espaço público e a salvaguarda do património ribeirinho. O dossier da exposição descreve o Cais da Palença como um lugar com forte memória coletiva: ao longo de décadas serviu como ponto de embarque e desembarque, apoio às comunidades piscatórias e suporte às antigas fábricas da margem sul.
"alertar para uma situação concreta"
Segundo o material informativo, o local apresenta hoje sinais claros de abandono: vestígios de estruturas industriais degradadas, habitações de pescadores remanescentes e percursos junto ao rio com acessos limitados. Essa condição transforma, na visão da autora, o território em um espaço “invisível”, mais vulnerável a pressões e potencialmente exposto a processos de privatização.
- Inauguração: 1 de agosto, às 16h, no Solar dos Zagallos.
- Período da exposição: 1 de agosto a 12 de setembro.
- Local em foco: Cais da Palença (Cais das Colunas), Pragal.
Para os munícipes de Almada, a mostra funciona como ponto de partida para questões concretas: que futuro para os locais ribeirinhos com memória histórica? Como conciliar proteção do património, uso público e interesses privados? A exposição pretende, assim, não só documentar a condição atual do cais como instigar soluções de revitalização que preservem o acesso público.
O tema tem implicações práticas ao nível urbano e social: a recuperação ou requalificação de trechos ribeirinhos influencia mobilidade pedonal junto ao rio, práticas de lazer, identidade local e possibilidades de atividade económica ligada à pesca e ao turismo cultural. A organização da exposição chama a atenção para a necessidade de projetos específicos e manutenção das ruínas e acessos, elementos que condicionam a visibilidade e a utilização do espaço.
Quem visitar a mostra encontrará, além de documentação histórica e visual, uma proposta de reflexão sobre a paisagem como património coletivo e sobre a ideia de que o rio e a sua margem são bens de uso comum. A inauguração, sendo aberta ao público, constitui uma oportunidade para que moradores, técnicos e responsáveis locais dialoguem sobre o destino do Cais da Palença e de outras áreas ribeirinhas de Almada.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Local | Solar dos Zagallos, Sobreda |
| Inauguração | 1 de agosto, 16h |
| Duração | 1 ago – 12 set |