Federação reclama transparência e medidas urgentes
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) lançou uma crítica dura ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação pelo que classifica como «amadorismo» no processo de classificação dos exames nacionais, que este ano passaram por um modelo de correção digital. Em conferência de imprensa no Porto, a federação anunciou um abaixo‑assinado contra as «graves deficiências» detectadas e apelou a soluções rápidas para evitar danos adicionais no calendário e na confiança no sistema de avaliação.
Que problemas têm sido apontados?
- Erros na digitalização das folhas de resposta, com relatórios de páginas em falta;
- Atrasos na disponibilização das provas para os professores classificadores;
- Problemas técnicos na plataforma eletrónica que distribui e gere as correções;
- Risco de um elevado número de pedidos de reapreciação e possível incumprimento do calendário previsto.
Segundo a Fenprof, este ano as provas dos 11.º e 12.º anos continuaram a ser impressas em papel, mas a sua correção passou a ser feita em formato digital: as folhas são primeiro digitalizadas e depois distribuídas pela plataforma eletrónica aos professores classificadores. Foi este novo fluxo que tem apresentado falhas desde o início, segundo docentes e representantes sindicais.
"Tem de haver aí um recuo, tem de haver mudanças. O problema aqui não é a questão da mudança do ministro. O ministro pode sair. Se as políticas continuarem, ficamos todos na mesma", afirmou José Feliciano Costa.
Na mesma conferência, um dos secretários‑gerais da Fenprof, Francisco Gonçalves, considerou que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, «não tem condições» para manter o cargo face ao que tem acontecido no processo. Contudo, a federação realça que a questão excede a pessoa e aponta para falhas de método e planeamento, bem como para a ausência de um plano de contingência adequado.
Consequências práticas para alunos, pais e professores
As falhas no processo de correção podem ter vários efeitos práticos que preocupam a comunidade educativa:
- A possibilidade de adiamento da divulgação de resultados e da realização da segunda fase dos exames, já anunciada pelo Governo em comunicado anterior;
- A sobrecarga de trabalho para os professores classificadores, com impacto na qualidade e na equidade da avaliação;
- Maior probabilidade de pedidos de reapreciação, o que pode atrasar ainda mais a confirmação de notas e colocações no ensino superior.
A Fenprof exige que a tutela adopte medidas claras para corrigir os problemas técnicos e procedimentais, implemente um plano de contingência e garanta transparência sobre os prazos de divulgação das classificações.
O que devem saber e fazer pais e alunos
- Mantener-se informados junto das escolas sobre a data definitiva de divulgação de resultados e de qualquer alteração ao calendário da segunda fase;
- Preparar documentação e eventuais pedidos de reapreciação, caso considerem necessário — informem‑se sobre prazos e procedimentos específicos;
- Contactar os diretores de turma ou serviços das escolas para esclarecer dúvidas sobre a disponibilidade das provas e o acompanhamento dos processos.
| Elemento | Impacto reportado |
|---|---|
| Digitalização das provas | Relatos de páginas em falta e erros na imagem |
| Plataforma de distribuição | Atrasos e problemas técnicos que impedem classificadores de aceder às provas |
| Calendário | Adiado para divulgação de resultados e segunda fase |
O episódio coloca o ministério perante um duplo desafio: resolver os problemas técnicos imediatos para que as correções sejam justas e atempadas e repensar a implementação de mudanças tão sensíveis sem criar riscos acrescidos para o futuro dos alunos. Para já, a Fenprof mantém a pressão política e operacional, pedindo respostas concretas e urgentes.