Uma programação que explora a escuta como experiência artística
Coimbra acolhe, entre 18 de julho e 6 de setembro, a 10.ª edição do festival Dar a Ouvir, iniciativa que propõe ao público percursos onde o som, a performance e a investigação se intersectam. O evento, coorganizado pela Câmara Municipal e pelo Jazz ao Centro Clube, reivindica a escuta como uma forma crítica e sensorial de relacionar corpos, materiais e espaços.
O tema desta edição, intitulado "A Montanha e o Micélio", aponta para um conjunto de projetos que interrogam as continuidades entre tempo, matéria e organismo, sugerindo outras maneiras de compreender o mundo através do acto de escutar. A maioria das propostas será apresentada no Convento de São Francisco, que se assume como palco central do festival, e inclui residências, estreias e criações que cruzam práticas artísticas com investigação académica.
"reafirma o lugar da escuta enquanto experiência artística, sensorial e crítica"
Entre as novidades anunciadas está uma criação com carta branca de Xavier Paes e Inês Tartaruga Água, que será apresentada no Convento entre 21 de agosto e 6 de setembro. O duo também mostrará outras obras do seu percurso e realizará performances ao longo do evento. O colectivo Unloop apresenta em residência no Salão Brazil a instalação interativa "RHÎZA", resultado de oito meses de trabalho que articulou práticas artísticas com investigação nas áreas da micologia e da neurociência desenvolvida pela Universidade de Coimbra.
O programa inclui ainda a estreia absoluta de "Da Prece ao Techno", pelo Teatro do Frio, uma peça que cruza som e corpo num percurso entre escuta íntima e celebração coletiva. No Grande Auditório do Convento será apresentado o espectáculo "Até ao Fim do Mundo", concebido a partir do universo de Fernando Mota, que mistura geologia, música, literatura e vídeo.
- Datas: 18 jul — 6 set
- Local principal: Convento de São Francisco
- Projectos em destaque: RHÎZA (Unloop), Da Prece ao Techno (Teatro do Frio), criação de Xavier Paes e Inês Tartaruga Água
- Organização: Câmara Municipal de Coimbra e Jazz ao Centro Clube
- Entrada: maioritariamente gratuita, sujeita à lotação dos espaços
Além das apresentações cénicas e instalações, o festival propõe um ciclo de conversas no Salão Brazil, que pretende aprofundar os cruzamentos entre ciência e criação artística. A existência de colaborações com a Universidade de Coimbra evidencia a aposta em projetos que não se ficam pela estética, mas procuram integrar conhecimento científico no processo criativo.
| Data | Local | Evento / Projeto |
|---|---|---|
| 18 jul — 6 set | Convento de São Francisco | Programação central do festival |
| 21 ago — 6 set | Convento de São Francisco | Nova criação de Xavier Paes e Inês Tartaruga Água |
| Residência (8 meses) | Salão Brazil | Instalação "RHÎZA" (Unloop) |
Para os residentes e visitantes de Coimbra, o festival representa uma oportunidade de aceder a propostas artísticas contemporâneas que desafiam a perceção habitual do som e do corpo. A lógica de muitas actividades serem gratuitas facilita a participação, mas os interessados devem antecipar a procura e confirmar horários e lotações para cada evento.
O Dar a Ouvir constitui-se assim como um espaço de investigação e encontro para públicos diversos: desde quem procura experiências sensoriais inovadoras até a comunidade académica que acompanha os projectos de investigação aplicados à criação artística. A presença de estreias e obras em processo torna o cartaz especialmente apelativo para quem acompanha a cena cultural contemporânea em Coimbra.