Reconhecimento formal e preservação de saberes
O Figurado de Barcelos foi oficialmente inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI) por despacho do Presidente do Conselho Diretivo do Património Cultural, IP, datado de 13 de julho de 2026 e publicado em Diário da República. A decisão reconhece a manifestação como um elemento relevante na matriz identitária das comunidades locais e sublinha a sua importância histórica e a influência social, cultural e económica no território.
Este registo resulta de um pedido formalizado pela Câmara Municipal de Barcelos, apoiado por um trabalho de investigação de campo realizado em articulação com as comunidades produtoras. O processo valorizou a transmissão intergeracional dos conhecimentos, as práticas artesanais e os processos de fabrico que caracterizam a produção do figurado.
“reconhece a relevância do Figurado de Barcelos na atual matriz identitária das comunidades envolvidas, a sua importância histórica no território em que se insere e transversal influência social, cultural e económica”
O que é o Figurado e quem lhe dá continuidade
O Figurado de Barcelos é uma expressão artística artesanal constituída por figuras em pasta cerâmica, cuja prática se encontra circunscrita ao concelho. A produção assenta em quatro dimensões principais: o saber-fazer e a sua transmissão, as temáticas, a criatividade dos autores e os processos de conformação das peças. Existe uma unidade estética reconhecível, resultante da circulação de estilos, formas e temas entre gerações e famílias de artesãos.
- A comunidade do figurado está sobretudo presente nas freguesias de Galegos (Santa Maria) e Galegos (São Martinho).
- Contabilizam-se cerca de 100 indivíduos ativos na comunidade, incluindo aproximadamente 50 artesãos.
- A produção é contínua ao longo do ano, com destaque para encomendas de quadras festivas e para participação em feiras e mostras de artesanato.
| Item | Valor |
|---|---|
| Data do despacho | 13/07/2026 |
| Indivíduos ativos | ≈ 100 |
| Artesãos | ≈ 50 |
Entre as peças produzidas destaca-se o modelo do Galo de Barcelos, ícone que ultrapassou fronteiras e funciona como referência simbólica do repertório local. O balanço entre tradição e inovação é apontado como uma das marcas da produção, permitindo simultaneamente preservar técnicas e adaptar temas às dinâmicas contemporâneas.
Para os habitantes de Barcelos, este registo representa mais do que um selo de reconhecimento: poderá facilitar o acesso a apoios para a salvaguarda, aumentar a visibilidade turística e cultural do concelho e reforçar a transmissão do ofício entre gerações. A continuidade desta prática depende agora da articulação entre instituições públicas, artesãos e programação cultural que fomente tanto a formação como a valorização económica das atividades associadas.
O passo formal junto do INPCI insere-se numa estratégia municipal que pretende salvaguardar e promover recursos culturais distintivos de Barcelos, garantindo que o figurado permaneça parte ativa da vida comunitária e da economia local.