O Conselho do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou a conclusão da revisão do programa de financiamento à Ucrânia, permitindo o acesso imediato a cerca de US$ 690 milhões. Com este novo desembolso, o montante total já libertado no âmbito do programa ascende a aproximadamente US$ 2,2 mil milhões, no contexto de um envelope global de US$ 8,1 mil milhões.
Contexto e avaliação do Fundo
O FMI considerou o desempenho do programa “em geral satisfatório”, sublinhando que todas as metas quantitativas de desempenho e os objetivos indicativos fixados para o final de março foram cumpridos. Ainda assim, o Fundo alertou para uma deterioração das perspectivas económicas, refletida sobretudo no impacto crescente dos ataques contra a infraestrutura crítica ucraniana e nas repercussões indiretas da guerra no Médio Oriente.
“Estabilidade macroeconômica continua sendo principal prioridade da Ucrânia”
Kristalina Georgieva, diretora‑gerente do FMI, frisou a necessidade de políticas fiscais e monetárias prudentes e de medidas para reforçar a resiliência do sistema financeiro, apontando a preservação da estabilidade macroeconómica como o objectivo primordial.
Reformas e desafios
A revisão do programa revelou atrasos na implementação de medidas estruturais: vários marcos foram concluídos com atraso ou não alcançados. Para evitar que o cronograma do programa seja comprometido, equipas do FMI e as autoridades ucranianas acordaram em junho um calendário revisto de reformas, bem como medidas corretivas e novos compromissos políticos.
- Desembolso imediato: US$ 690 milhões.
- Total já libertado: ≈ US$ 2,2 mil milhões do programa de US$ 8,1 mil milhões.
- Metas de março cumpridas; reserva líquida para junho não atingida.
| Item | Valor |
|---|---|
| Total do programa | US$ 8,1 mil milhões |
| Libertado até agora | ≈ US$ 2,2 mil milhões |
| Desembolso aprovado | US$ 690 milhões |
Para as autoridades ucranianas, a conjugação de pressões militares e económicas junta riscos imediatos e estruturais: manter reservas, assegurar financiamento externo e continuar reformas num ambiente de ataque permanente à infraestrutura essencial. O FMI sublinha que o não cumprimento da meta de reservas líquidas para o fim de junho foi parcialmente influenciado pelos efeitos do conflito no Médio Oriente, evidenciando a interligação entre choques regionais e a trajectória económica do país.
O desfecho desta revisão é um teste à capacidade de Kiev de equilibrar medidas de curto prazo para preservar a estabilidade financeira com a necessidade de avançar em reformas que sustentem a recuperação a médio prazo. As decisões tomadas nas próximas semanas serão determinantes para o rumo do programa e para o apoio internacional à Ucrânia face a um cenário de risco elevado e incerteza persistente.