Em Sines, a chegada do FMM volta a alterar o ritmo da cidade: as apresentações escalam desde a avenida marginal até ao castelo, preenchendo ruas, praças e recantos com públicos que se misturam em trânsito permanente. Na noite de abertura, 22 de Julho, o festival trouxe ao recinto uma conjunção de propostas que cruzaram tradição e contemporaneidade e confirmaram o papel do evento como ponte entre territórios culturais diversos.
Da projecção cinematográfica às pulsações electrónicas
O arranque no interior das muralhas começou com o cine-concerto de Khalil Epi, onde paisagens naturais e etnográficas da Tunísia foram projectadas em cinco ecrãs. A combinação de instrumentos acústicos e sonoridades tradicionais com electrónica contemporânea construiu uma banda sonora tanto dançável como evocadora, que serviu de abertura para uma noite de contrastes.
Actuações que cruzaram géneros e geografias
O alinhamento da primeira noite incluiu propostas muito distintas: a irreverência da catalã Lia Kali, o reggae com matrizes rastafárias de Julian Marley e a contundência sonora dos portugueses Yakuza. Em comum, a vontade de experimentar, somar referências e explorar novas paisagens sonoras — uma marca que tem vindo a definir o festival.
“simultaneamente sagrado e profano”
A descrição do evento por Carlos Seixas, director artístico e de produção, sublinha essa dualidade: o FMM ocupa espaços monumentais e cotidianos, conferindo-lhes um estatuto novo através da música. A iniciativa faz da cidade um palco expandido, onde transeuntes se transformam em público e músicos por vezes se confundem com a multidão.
- Local: Sines — castelo, avenida marginal, ruas e praças
- Data: noite de abertura a 22 de Julho
- Actuações em destaque: Khalil Epi, Lia Kali, Julian Marley, Yakuza
O público acompanhou um trajecto sonoro que os levou do etnográfico ao urbano, do introspectivo ao dançável. Lia Kali, representante de uma cena espanhola plural, evidenciou a mescla de ritmos contemporâneos — do soul ao flamenco, passando por percussões latinas — enquanto Julian Marley trouxe a matriz reggae e referências rastafárias, e Yakuza apresentou uma sonoridade portuguesa desafiante, capaz de dialogar com os restantes convidados.
| Intérprete | Traço distintivo |
|---|---|
| Khalil Epi | Cine-concerto com projecções tunisienses e electrónica |
| Lia Kali | Fusão urbana de géneros (soul, hip hop, flamenco, percussões) |
| Julian Marley | Reggae com inspiração rastafária |
| Yakuza | Proposta portuguesa de som desafiante |
Para Sines, a presença do festival continua a significar mais do que uma série de concertos: implica um movimento humano que redefine a utilidade dos espaços urbanos e impulsiona economia local, visibilidade cultural e turismo. Nos dias seguintes, espera-se que a dinâmica iniciada na abertura se mantenha e que novas propostas venham a acrescentar camadas a este mapa sonoro.
O FMM, tal como se viu na primeira noite, mantém-se como espaço de descoberta e encontro entre público e artistas, onde o diálogo entre tradição e modernidade persiste como fio condutor das programações.