Ambulância sediada no Fundão desde 2007 pode ser retirada
A anunciada reorganização do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) suscitou um alerta na comunidade do Fundão: a viatura de emergência médica que serve a cidade desde 2007 pode vir a deixar de estar sediada no concelho. A tomada de posição pública partiu da CDU local, na sequência de informações divulgadas pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), que deram conta do risco de a ambulância deixar de permanecer no Hospital do Fundão.
Os responsáveis políticos recordam que a deslocação da urgência básica de proximidade, ocorrida há quase duas décadas, foi compensada com a promessa de manutenção desta resposta diferenciada através da ambulância. Desde então, salientam, o meio passou a ser peça central na resposta de socorro local, pelo que a sua eventual eliminação seria um retrocesso dos serviços públicos de saúde prestados à população.
Impacto direto numa população dispersa e envelhecida
O concelho do Fundão abrange uma área geográfica vasta e inclui dezenas de localidades dispersas. Para a CDU, a redução de meios traduz-se, inevitavelmente, num aumento dos tempos de resposta e num agravamento do risco para os cidadãos, com maior incidência entre as faixas etárias mais idosas. A força política alerta também para o aumento das assimetrias entre litoral e interior caso se concretize a concentração de recursos.
- Questionamento sobre as razões da retirada da ambulância;
- Exigência de clarificação sobre alternativas concretas que garantam resposta igual ou superior;
- Pedido de esclarecimentos sobre eventual transferência de funções para os Bombeiros Voluntários do Fundão e os recursos que isso implicaria.
Entre as perguntas enviadas ao Governo, ao Ministério da Saúde, ao INEM e à Unidade Local de Saúde da Cova da Beira está a que pede explicitação de quais os recursos humanos, meios técnicos e financiamento que seriam atribuídos caso as funções fossem passadas para os Bombeiros Voluntários do Fundão. A CDU qualificou como incompreensível a opção de concentrar recursos num momento em que o interior reclama reforço das respostas.
| Meio | Registo |
|---|---|
| Ambulância de emergência médica | Desde 2007 sediada no Fundão |
| Urgência básica de proximidade | Encerrada há quase duas décadas |
Para além do impacto imediato na capacidade de resposta a situações críticas, há preocupações práticas: quem garante transferência célere para internamento em contexto de trauma ou enfarte? Como serão asseguradas as evacuações em zonas rurais com acessos mais dificultados? A CDU sublinha que a saúde e o socorro não podem ficar condicionados pelo local de morada dos utentes.
Outra preocupação apontada prende-se com a possibilidade de partilha de um único meio diferenciado entre o Fundão e a Covilhã, situação que, segundo a força política, poderá levar à priorização de transferências inter-hospitalares em detrimento de respostas emergentes locais.
Até ao momento da publicação deste artigo não havia, por parte do INEM ou da Unidade Local de Saúde da Cova da Beira, uma resposta pública clarificando a intenção sobre a manutenção ou realocação da ambulância. O desfecho desta questão terá impacto direto na segurança dos habitantes do concelho e nas capacidades do sistema de socorro local.
A acompanhar estarão as clarificações solicitadas pela CDU e eventuais comunicações oficiais que definam alternativas concretas, com indicação de meios, recursos humanos e regime de financiamento — informações que a população do Fundão aguarda com interesse e que determinarão se se mantém ou não a atual base de protecção médica de emergência no território.