Autarquia alerta para impacto orçamental e pede intervenção do Governo
A Câmara Municipal de Gondomar considera inviável, nas actuais condições financeiras, implementar a gratuitidade dos transportes públicos aos seus munícipes sem um apoio financeiro do Estado. O presidente da Câmara, Luís Filipe Araújo, compara o caso com a medida já em vigor na cidade do Porto e sublinha o impacto directo nas contas camarárias se a medida fosse replicada localmente.
Segundo o autarca, a experiência do Porto implica um custo estimado em 20 milhões de euros; em Gondomar esse encargo ascenderia a aproximadamente 15 milhões de euros por ano. Face à dimensão do orçamento municipal, Luís Filipe Araújo defende que não existe capacidade financeira para suportar esse montante sem transferência de responsabilidades para o Estado.
"Não temos capacidade financeira para suportar esse valor" — Luís Filipe Araújo
Para o presidente da Câmara, a gratuitidade não deve ser pensada isoladamente por cada município. A proposta, na sua óptica, exige uma coordenação a nível da Área Metropolitana do Porto e uma intervenção do Governo para ser viável e justa entre concelhos com recursos distintos.
- Custos estimados: Porto ~ 20 milhões; Gondomar ~ 15 milhões.
- Prioridade apontada: reforço da oferta e da rede de mobilidade metropolitana.
- Preocupação: medidas isoladas podem não reduzir os fluxos pendulares que geram congestionamento.
O autarca manifestou ainda dúvidas quanto à eficácia exclusiva da gratuitidade na redução do congestionamento. Na sua avaliação, os principais responsáveis pelos engarrafamentos são os movimentos pendulares de trabalhadores que entram e saem da cidade a partir dos concelhos vizinhos; por isso, a solução teria de incluir a ampliação da oferta — nomeadamente do Metro do Porto — e melhores ligações rodoviárias.
| Município | Custo estimado (ano) |
|---|---|
| Porto | 20 milhões € |
| Gondomar | 15 milhões € |
Para os habitantes de Gondomar, a posição da Câmara traduz-se numa promessa de cautela financeira: promover o uso do transporte público é um objectivo partilhado, mas a sua concretização através da gratuitidade dependerá de decisões e apoios supramunicipais. A possibilidade de medidas alternativas — como maior oferta, melhorias nas ligações e projectos conjuntos na área metropolitana — foi sugerida como caminho mais realista e potencialmente mais eficaz no combate ao trânsito.
Nos próximos meses, a discussão deverá ganhar densidade política à medida que outras autarquias e o Governo debatem a sustentabilidade financeira e o alcance territorial de medidas de apoio à mobilidade. Em Gondomar, fica a preocupação de conciliar vontade política local com os limites orçamentais identificados pela equipa liderada por Luís Filipe Araújo.