A Câmara Municipal da Guarda formalizou a candidatura da cidade a Capital Portuguesa da Cultura 2028, apresentando um projecto que pretende afirmar o município como um «espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento». A iniciativa foi divulgada pela autarquia na quinta‑feira, 23 de julho.
Uma candidatura centrada na identidade e na abertura ao futuro
O dossier de candidatura assenta no conceito da cidade «guardiã»: uma imagem que liga a cidade ao seu legado histórico e às memórias locais, ao mesmo tempo que propõe uma atitude voltada para a modernidade e para a inovação. Segundo a Câmara, a proposta pretende explorar «a relação entre tradição e inovação» como motor para a política cultural do concelho e do distrito.
“Sob o conceito de cidade ‘guardiã’: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando‑se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.”
O executivo municipal destaca a singularidade do território, apontando a sua condição simultânea de região de montanha e de fronteira como fator diferenciador na construção de uma visão cultural que procura ser ao mesmo tempo enraizada no local e projetada para a região e para o país.
Objetivos práticos e atores envolvidos
Na descrição pública do projeto, a Câmara refere que a candidatura é um «projeto estratégico» destinado a posicionar a Guarda como um pólo de criação e de participação. Para isso, propõe reforçar as condições de produção e criação artística no território, mobilizando uma ampla rede de parceiros:
- instituições e associações culturais;
- criadores e agentes culturais e económicos;
- comunidades locais;
- parceiros nacionais e internacionais.
O envolvimento destes atores é apontado como essencial para transformar a iniciativa num instrumento de desenvolvimento cultural e, por extensão, económico e social do concelho e do distrito.
Contexto: lições da candidatura anterior
Esta não é a primeira tentativa da Guarda em candidatar‑se a um título cultural nacional ou europeu. Em 2022, a cidade apresentou uma proposta para a Capital Europeia da Cultura 2027, sendo porém excluída ainda na fase de pré‑seleção. A nova candidatura nacional para 2028 surge assim numa sequência de estratégia cultural que procura aprender com processos anteriores e reforçar argumentos regionais.
| Ano | Evento |
|---|---|
| 2022 | Candidatura à Capital Europeia da Cultura 2027 — excluída na pré‑seleção |
| 2026 | Anúncio da candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028 |
Para a população e para os agentes culturais locais, a nova tentativa pode significar maiores oportunidades de financiamento, residências artísticas, eventos e melhorias nas infraestruturas culturais. A autarquia sublinha o objetivo de criar condições estáveis de trabalho para artistas e equipas, bem como fortalecer redes de colaboração regionais.
Ao avançar com uma candidatura baseada tanto na memória como na inovação, a Câmara aposta numa narrativa que pretende destacar a Guarda no mapa cultural nacional, atraindo visitantes e parceiros e promovendo a economia local através da cultura.