Despesa e impacto
Em 2025 a hemodiálise voltou a ser a rubrica com maior peso na despesa pública no setor convencionado, com encargos na ordem dos €271 milhões. Este valor representa cerca de 27% do total das convenções com entidades privadas que prestam cuidados ao abrigo de acordos com o Estado.
Comparação com outras áreas
A segunda maior fatia da despesa no setor convencionado foi atribuída às análises clínicas, com um custo de aproximadamente €261,5 milhões, o que equivale a cerca de 26,1% do total. A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) é a fonte destes números, que resultam do acompanhamento regulatório do sector da hemodiálise em Portugal.
| Área | Despesa (2025) | Percentagem do total |
|---|---|---|
| Hemodiálise | €271 milhões | 27% |
| Análises clínicas | €261,5 milhões | 26,1% |
Utilizadores e tendência
Segundo a monitorização, em 2025 havia quase 13 000 utentes inscritos nos registos relativos a hemodiálise. A despesa com estes tratamentos aumentou em torno de 3% face a 2024, uma subida que a ERS associa à atualização do "preço compreensivo por doente por semana", parâmetro utilizado para remuneração no âmbito das convenções.
Consequências e pontos de atenção
O peso contínuo da hemodiálise na despesa do setor convencionado coloca várias questões de gestão e política de saúde pública:
- Eficiência na utilização de recursos e avaliação de preços praticados em convenções com entidades privadas;
- Impacto orçamental a médio prazo se a prevalência de doença renal crónica e a necessidade de terapias substitutivas se mantiverem ou aumentarem;
- O papel da regulação e da negociação tarifária para conter subidas de custo sem comprometer o acesso e a qualidade dos cuidados.
O que os números dizem — sem conclusões precipitadas
Os dados divulgados pela ERS oferecem um retrato quantitativo do peso da hemodiálise nas convenções em 2025, mas não explicam por si só as variações de custo: fatores como atualizações tarifárias, evolução do número de sessões por utente, custos com materiais descartáveis, tecnologia e regimes contratuais influenciam o total reunido. Será necessário um exame mais detalhado dos contratos e dos modelos de prestação para avaliar opções de contenção de despesa que não comprometam resultados em saúde.
Em termos práticos, a informação pública sobre valores, percentagens e utentes constitui um ponto de partida para debates entre reguladores, governo, prestadores e sociedade civil sobre prioridades de financiamento e estratégias de organização dos cuidados para pessoas com doença renal crónica.