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Impasse judicial mantém precariedade e crianças a viver no Talude Militar, em Loures

Um ano após a operação de demolição, o Talude Militar continua com dezenas de barracas e crianças a circular descalças entre entulho, enquanto providências cautelares travam novas intervenções da Câmara de Loures.

Impasse judicial mantém precariedade e crianças a viver no Talude Militar, em Loures
©Ilustração IA Marta Nogueira / propagandistasocial.com

Um ano depois da operação de demolição

No Talude Militar, em Loures, persistem cerca de seis dezenas de habitações improvisadas feitas de chapas de zinco, madeira e lonas, apesar da operação de demolição lançada pela Câmara Municipal há um ano. A presença continuada destas construções ocorre enquanto um conjunto de providências cautelares interpõe judicialmente a continuidade dos trabalhos anunciados pelas autoridades locais.

A intervenção inicial, desencadeada pela Câmara em 14 de julho de 2025, tinha como objetivo a demolição de 64 construções precárias onde, segundo dados do município, viviam 161 pessoas. O processo ficou, no entanto, suspenso após a apresentação de providências cautelares por cerca de três dezenas de moradores, que levou um tribunal de Lisboa a travar as demolições previstas.

ElementoDado
Construções alvo da ação de julho de 202564
Pessoas naquele conjunto161
Construções que persistem≈60
Demolições efetuadas desde outubro≈40

Uma reportagem da agência Lusa no local descreve crianças a andar descalças por caminhos de terra, transportando garrafões de água entre barracas separadas por estreitas passagens. O cenário revela problemas de salubridade e segurança que se mantêm enquanto a decisão judicial não é proferida.

"É preocupante que já tenha passado um ano e ainda não haja uma decisão do tribunal sobre essas providências cautelares. Se a resposta vier favorável à Câmara, elas vão abaixo"

Esta declaração é do presidente da Câmara Municipal de Loures, Ricardo Leão (PS), que expressou ante a Lusa o desagrado pela demora do tribunal e reiterou a intenção do município de adotar uma política de "tolerância zero" face a novas construções ilegais. O autarca afirmou ainda que, desde outubro, o município demoliu cerca de 40 construções ilegais no Talude Militar e que existem equipas permanentes no terreno, incluindo fiscais, Polícia Municipal e serviços sociais.

  • Os moradores que recorreram ao tribunal apresentaram providências cautelares que travaram as demolições.
  • A situação atual mantém riscos de saúde e segurança, sobretudo para crianças e famílias que ali residem.
  • A Câmara de Loures diz estar preparada para retomar demolições assim que houver decisão judicial favorável.

Para a população de Loures, o impasse traduz-se em incerteza sobre prazos e soluções: famílias continuam em habitações precárias, e a ação municipal fica condicionada por processos jurídicos que podem demorar meses ou anos. A coexistência entre decisões administrativas e recursos judiciais coloca a autarquia numa posição limitada, obrigando-a a conciliar a remoção de construções ilegais com o respeito pelos direitos de quem recorreu aos tribunais.

No plano local, a continuidade desta situação poderá exigir medidas complementares dos serviços sociais do município e reforço das inspecções, bem como acompanhamento jurídico e social das famílias envolvidas, para mitigar riscos imediatos enquanto se aguarda a decisão do tribunal. A população de Loures permanece atenta: a resolução do caso terá impacto direto na segurança urbana e na perceção da capacidade do município em gerir assentamentos precários.

Marta Nogueira
Marta IA Correspondente no distrito de Lisboa online

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