Tragédia numa das principais zonas produtoras de calçado da China
Um incêndio que consumiu na quinta-feira as instalações da Fujian Huiteng, em Jinjiang (província de Fujian), resultou em 28 mortos e motivou uma investigação oficial sobre as causas e a responsabilidade pelo sinistro. A agência noticiosa estatal Xinhua confirmou que as operações de busca terminarem e que o processo judicial e administrativo está a ser conduzido pelas autoridades locais.
De acordo com as informações divulgadas, no momento da deflagração encontravam-se no edifício um total de 237 trabalhadores e 2 visitantes, somando 239 pessoas. As equipas de resgate conseguiram retirar 213 pessoas com vida do complexo; entre estas, duas acabaram por falecer posteriormente em hospitais. As restantes 26 pessoas inicialmente dadas como desaparecidas foram depois confirmadas como mortas, elevando o número total de vítimas mortais para 28.
Imagens difundidas por órgãos de comunicação locais mostraram trabalhadores retidos no telhado de um edifício de cinco pisos, envolvido por uma densa coluna de fumo negro, enquanto os bombeiros tentavam apagar as chamas. As autoridades indicaram ainda que o proprietário e os gestores da empresa foram detidos e as contas bancárias da sociedade foram congeladas, medidas que integram a investigação em curso.
Contexto e repercussões
Jinjiang é um dos núcleos industriais mais relevantes no fabrico de calçado desportivo da China, com centenas de unidades que produzem para marcas nacionais e estrangeiras, segundo registos em plataformas de comércio eletrónico e importação. O incêndio relança preocupações sobre as condições de segurança laboral em sectores industriais chineses, onde acidentes graves têm-se sucedido nos últimos anos.
- Incidentes recentes: Em maio, uma explosão numa fábrica de fogo-de-artifício em Changsha causou pelo menos 37 mortos.
- Casos de 2024: Um incêndio numa instalação em Xinyu provocou 39 mortos.
- Dados oficiais: Em 2025 houve 18.261 mortos em quase 20.000 acidentes de trabalho registados a nível nacional, segundo estatísticas oficiais.
As autoridades chinesas têm repetidamente exigido às empresas que reforcem a identificação de riscos e melhorem as normas de segurança, mas as estatísticas e a sucessão de tragédias sugerem que persistem lacunas na implementação e na fiscalização.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Pessoas presentes no edifício | 239 |
| Pessoas retiradas com vida | 213 |
| Mortos confirmados | 28 |
| Mortes em hospital após resgate | 2 |
Para além das implicações humanas imediatas, o sinistro pode ter efeitos sobre as cadeias de abastecimento globais do sector do calçado, na medida em que a região de Jinjiang e a província de Fujian desempenham um papel central nas exportações. A investigação agora em curso, com detenções de gestores e congelamento de activos, aponta para uma tentativa das autoridades de atribuir responsabilidades e de sinalizar uma resposta enérgica diante de um incidente de grande impacto.
À escala política, casos como este alimentam o debate sobre a necessidade de reforço da fiscalização laboral e de padrões de segurança coerentes, numa altura em que o Governo central procura reduzir o número de acidentes graves e melhorar os indicadores de segurança no trabalho.
A investigação oficial deverá clarificar as causas do incêndio e eventuais responsabilidades criminais ou administrativas, bem como as medidas concretas de prevenção e reparação a implementar nas empresas do sector.