Os incêndios florestais na Europa tornaram‑se mais frequentes e destrutivos, com consequências directas para a saúde pública, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS) Europa. No último ano arderam 2,2 milhões de hectares na região, um valor significativamente superior aos 1,4 milhões registados em 2022, e que se insere num quadro de aumento de 57% dos incêndios em quatro anos.
O contexto e os efeitos sobre a saúde
Segundo a OMS Europa, o fumo proveniente dos incêndios pode percorrer centenas de quilómetros, degradando a qualidade do ar em áreas distantes das chamas. A mistura poluente do fumo inclui partículas finas (PM2,5), dióxido de azoto (NO2), ozono, hidrocarbonetos aromáticos e chumbo — compostos que têm potencial para agravar doenças respiratórias e cardíacas e para afectar a saúde mental.
“À medida que as alterações climáticas aquecem o planeta, precisamos de nos preparar para incêndios florestais mais frequentes e intensos”, afirmou o diretor da OMS Europa, Hans Henri P. Kluge.
Aquela agência salienta que, quando o fogo atinge habitações, podem libertar‑se substâncias químicas tóxicas presentes em equipamentos electrónicos, mobiliário, plásticos e tintas, aumentando a exposição a agentes potencialmente nocivos.
Quem está em maior risco e que medidas seguir
- Pessoas idosas, crianças, grávidas e doentes crónicos: maior susceptibilidade a efeitos respiratórios e cardiovasculares.
- Residentes em áreas afectadas: exposição directa a fumo e, em caso de incêndio em habitações, exposição a tóxicos domésticos.
- Viajantes e profissionais expostos: necessidade de equipamento de protecção adequado em situações de poluição elevada.
A OMS Europa recomenda seguir as orientações oficiais locais, afastar‑se dos incêndios activos quando for seguro, evitar deslocações desnecessárias e usar uma máscara de protecção bem ajustada se for necessário sair para o exterior.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Área ardida (último ano) | 2,2 milhões hectares |
| Área ardida (2022) | 1,4 milhões hectares |
| Aumento de incêndios (4 anos) | 57% |
Entre os países mais afectados no último ano constam a Ucrânia, Espanha, Portugal, Turquia e Roménia. Em Portugal e Espanha, até julho, o número de incêndios reportados cresceu mais de 100% face ao mesmo período do ano anterior, demonstrando a intensidade do fenómeno esta época.
Além da resposta imediata aos fogos, os especialistas da OMS europeia sublinham a necessidade de preparar sistemas de saúde e políticas públicas para mitigar os impactos a médio e longo prazo, incluindo vigilância da qualidade do ar, planos de protecção de populações vulneráveis e estratégias de adaptação às alterações climáticas.
Perante um cenário que se agrava com o aquecimento global, as autoridades de saúde e de protecção civil enfrentam o desafio de articular medidas preventivas e de resposta para reduzir o custo humano e ambiental dos incêndios.