Subida acentuada das insolvências e perfil do tecido empresarial
Os primeiros três meses de 2026 trouxeram um agravamento significativo do número de falências e processos de insolvência no distrito de Bragança, com uma subida de 71% face ao período homólogo de 2025, segundo dados divulgados pela consultora Iberinform. Em simultâneo, a constituição de novas empresas recuou 2%, sinalizando menor renovação do tecido económico.
“Apesar do aumento das insolvências no primeiro trimestre de 2026, Bragança continua a evidenciar um tecido empresarial estável, marcado pela elevada antiguidade das empresas, níveis de risco maioritariamente controlados e uma atividade económica diversificada”, salvaguarda a consultora.
O distrito apresenta características que explicam parte da resiliência, mas também as vulnerabilidades: 90% das empresas são microempresas, apenas 9% são de pequena dimensão e 1% são de média dimensão. Mais de metade das firmas ( 54% ) conta com mais de 11 anos de atividade, o que denota experiência, mas pode também traduzir menor capacidade de adaptação a choques recentes.
Riscos por setores e distribuição geográfica
A distribuição sectorial revela concentração nos serviços, que concentram 42% das empresas do distrito, seguidos da agricultura (10%), construção civil (9%) e indústria (7%). Em termos de risco de incumprimento, a maior parte das empresas (80%) situa-se em níveis de risco baixo ou médio, enquanto 20% apresentam risco elevado.
| Indicador | Percentagem |
|---|---|
| Insolvências (var. anual) | +71% |
| Constituição de empresas (var. anual) | -2% |
| Microempresas | 90% |
| Empresas com >11 anos | 54% |
Na radiografia por concelhos, a cidade de Bragança concentra praticamente um terceiro das empresas do distrito (30%), seguida de Mirandela (17%), Macedo de Cavaleiros (12%), Mogadouro (7%) e Miranda do Douro e Torre de Moncorvo (ambas com 6%); os restantes seis concelhos repartem os 22% de empresas remanescentes.
- Impacto local: subida das insolvências pode traduzir perda de postos de trabalho e contracção de serviços essenciais nas freguesias e mercados locais.
- Vulnerabilidade: forte dependência de microempresas torna o tecido mais sensível a choques económicos e de liquidez.
- Oportunidade: antiguidade das empresas sugere experiência que poderá ser mobilizada em medidas de apoio ou reestruturação.
Para os habitantes e agentes económicos de Bragança, a conjunção entre o aumento das insolvências e a diminuição na criação de empresas merece atenção das autoridades locais, instituições de crédito e associações empresariais. Uma eventual perda de dinamismo empresarial concentra efeitos em várias frentes: emprego, oferta de bens e serviços na cidade e no espaço rural envolvente, e na capacidade de captação de investimento.
As características estruturais — elevada preponderância de microempresas e uma atividade concentrada nos serviços — tornam imprescindível o acompanhamento de perto por parte da Câmara Municipal, das Comunidades Intermunicipais e das entidades de apoio ao empresário, nomeadamente no acesso ao financiamento e em iniciativas que promovam a modernização e diversificação das actividades.
Os dados da Iberinform colocam Bragança perante um duplo desafio: mitigar os efeitos imediatos do aumento das insolvências e criar condições para estimular a criação e a sustentabilidade de empresas, sobretudo de pequena dimensão, que assegurem emprego e serviços essenciais no distrito.