IPO Lisboa estreia broncoscopia robótica que promete maior precisão no diagnóstico pulmonar
O Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa realizou, a 5 de agosto de 2026, a primeira broncoscopia robótica em Portugal e no Serviço Nacional de Saúde, usando a plataforma robótica ION. Financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o novo equipamento permite alcançar nódulos pulmonares mais periféricos, uma área anteriormente de difícil acesso com técnicas convencionais.
O primeiro procedimento no IPO Lisboa foi efetuado num doente com cerca de 70 anos e teve, segundo a instituição, duração de pouco mais de 40 minutos. Durante o exame, a equipa médica navegou pela árvore brônquica até ao nódulo alvo e recolheu amostras para análise, procedimento central no diagnóstico e estadiamento do cancro do pulmão.
Segundo o IPO, a aquisição da plataforma coloca o centro entre um número reduzido de unidades europeias com este tipo de tecnologia e trata-se apenas do segundo equipamento deste género na Península Ibérica. A instituição sublinha que, para já, a utilização destina-se ao diagnóstico, mas admite a possibilidade de futuras aplicações terapêuticas durante o próprio procedimento.
- Precisão: permite aceder a áreas periféricas dos pulmões com maior fiabilidade.
- Minimamente invasivo: reduz a necessidade de cirurgias mais agressivas em alguns casos.
- Integração tecnológica: complemento à renovação da plataforma de ecoendoscopia brônquica (EBUS) e navegação eletromagnética.
Para os doentes do distrito de Lisboa e da região Lisboa e Vale do Tejo, a disponibilidade desta tecnologia no SNS traduz-se em benefício direto na capacidade de diagnóstico precoce. Nódulos pulmonares periféricos, que antes exigiam procedimentos mais complexos ou referências para centros privados ou estrangeiros, passam a poder ser abordados com técnicas de alta precisão dentro do serviço público.
Do ponto de vista operativo, a broncoscopia robótica combina imagens e navegação para orientar um instrumento robótico por vias respiratórias complexas. Esta evolução técnica representa um passo importante para a medicina de precisão no IPO Lisboa, permitindo uma caracterização mais refinada das lesões e contribuindo para decisões terapêuticas mais informadas.
| Elemento | Detalhe |
|---|---|
| Data do primeiro procedimento | 5 de agosto de 2026 |
| Duração aproximada | Pouco mais de 40 minutos |
| Paciente | ~70 anos (com suspeita de cancro do pulmão) |
| Financiamento | Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) |
| Posição geográfica | Segundo equipamento do género na Península Ibérica |
Em termos práticos, os utentes devem manter contacto com os seus médicos de referência nos centros hospitalares para informação sobre critérios de acesso a estes exames. A modernização tecnológica anunciada pelo IPO integra ainda atualizações em plataformas complementares, como a EBUS e a navegação eletromagnética, que em conjunto pretendem reforçar a capacidade de diagnóstico, estadiamento e caracterização das doenças pulmonares.
O avanço representa, para a população local, uma oportunidade para encurtar tempos de diagnóstico e reduzir deslocações para tratamentos fora do SNS, mas também impõe desafios de formação das equipas e de integração sustentada desta tecnologia na prática clínica diária do hospital.