Felícia Cabrita, jornalista do jornal Nascer do Sol, criticou esta sexta-feira a forma como tem sido conduzida a divulgação de informação sobre a investigação envolvendo o actual ministro da Administração Interna, Luís Neves. Para Cabrita, é «insólito» que um ministro anuncie que dará explicações ao país e depois não cumpra esse compromisso no próprio dia ou no seguinte.
O que está em causa
A comunicadora chamou igualmente a atenção para alegadas omissões na declaração de bens e rendimentos apresentada ao Tribunal Constitucional, bem como para transacções que levantam dúvidas, nomeadamente a transferência de um atrelado do Parque da Polícia Marítima no Seixal para uma empresa de construção sediada em Barcelos, e um investimento envolvendo quatro terrenos no Alentejo.
«Neste momento existe uma caça às bruxas na Polícia Judiciária»
Felícia Cabrita defendeu que, perante estes factos, a PJ tem a responsabilidade de esclarecer o que aconteceu em vez de, nas palavras da jornalista, procurar «perseguir alegadas fontes internas». A crítica estende-se ainda às tentativas de pressão sobre órgãos de comunicação social que cobrem a investigação.
Consequências e pedidos
A posição pública da jornalista sublinha um pedido implícito por mais transparência: exige-se que os órgãos oficiais — e a própria investigação — respondam de forma célere e clara a dúvidas sobre património e movimentações materiais relacionadas com o caso em apreço. A reacção de Cabrita realça também o papel dos media na supervisão desses processos e denuncia eventuais tentativas de condicionamento desse trabalho.
- Compromisso anunciado: ministro prometeu explicações públicas;
- Crítica central: não ter prestado essas explicações de imediato;
- Preocupação institucional: alegada caça às bruxas na Polícia Judiciária e pressão sobre jornalistas.
| Assunto | Elemento referido |
|---|---|
| Declaração de bens | Omissões apontadas |
| Equipamento policial | Atrelado transferido do Seixal para Barcelos |
| Investimento | Quatro terrenos no Alentejo |
Além do apelo por respostas, a intervenção pública de Felícia Cabrita reacende a discussão sobre os limites entre investigação criminal, segredo de inquérito e o direito do público a ser informado. Resta agora saber se o ministro corresponderá ao pedido de esclarecimento imediato e como reagirá a Polícia Judiciária às críticas sobre a sua conduta interna.