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Leiria aponta 125 prédios devolutos nas ARU e prepara agravamento fiscal para 2026

Câmara de Leiria registou 125 prédios devolutos nas áreas de Reabilitação Urbana; proprietários serão notificados para alteração de taxa de IMI caso não recuperem os imóveis no próximo ano fiscal.

Leiria aponta 125 prédios devolutos nas ARU e prepara agravamento fiscal para 2026
©Ilustração IA Paulo Simões / propagandistasocial.com

A Câmara Municipal de Leiria divulgou esta semana um apuramento provisório que aponta para 125 prédios devolutos nas três Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) abrangidas pelo levantamento: Centro Histórico, Nossa Senhora da Encarnação e Arrabalde D’Aquém. O documento, aprovado em reunião de executivo, aponta para uma redução face a 2025, quando foram identificados 131 prédios na mesma tipologia.

Distribuição por ARU

Do total apurado, a maior concentração localiza-se no Centro Histórico, com 112 imóveis. Seguem-se a ARU de Nossa Senhora da Encarnação, com 11, e a do Arrabalde D’Aquém, com 2. A Câmara sublinha que, nesta fase do procedimento, não foram detetados imóveis em ruínas.

Área de Reabilitação UrbanaNúmero de prédios devolutos
Centro Histórico112
Nossa Senhora da Encarnação11
Arrabalde D’Aquém2
Total125

Consequências fiscais e administrativas

O executivo municipal avisa que os proprietários dos imóveis classificados como devolutos vão ser notificados para que a sua situação fiscal seja revista no ano fiscal de 2026. A medida prevê o agravamento da taxa do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) sobre esses prédios, salvo se os proprietários avançarem com obras de recuperação que revertam o estatuto.

“Há uma evolução. Há prédios que saíram e outros que entraram. Não são estas 123 casas que vão mudar o panorama habitacional de Leiria em termos da sua ausência, mas são sempre casas e representam uma estratégia de recuperação”, afirmou Gonçalo Lopes (PS).

O presidente da Câmara reforçou que, por estarem “no coração de Leiria”, estes edifícios implicam maior risco e que a via fiscal, embora útil, pode não ser suficiente para atrair investimento ou motivar a venda e reabilitação em todos os casos.

  • O levantamento revela ainda propriedades com contador de água mas com consumo nulo ou residual (até 7 m³), sinal de abandono funcional.
  • A comparação com 2025 mostra uma diminuição de 6 edifícios classificados como devolutos.
  • O Executivo discute alternativas para alargar o instrumento fiscal a outras zonas do concelho, face à pressão do mercado imobiliário.

O vereador do PSD na Câmara, Nuno Serrano, apontou a necessidade de enquadrar este levantamento no contexto de uma procura imobiliária crescente, que pressiona preços e dificulta o acesso à habitação. Serrano sugeriu que o mecanismo de identificação de prédios devolutos e de majoração do IMI pudesse ser estendido além das zonas históricas, contemplando outras freguesias do concelho através da criação de zonas de pressão urbanística (ZPU).

Para os residentes e propriedade local, a notícia traduz-se em duas vertentes práticas: por um lado, a possibilidade de ver aumentada a carga fiscal sobre imóveis vazios; por outro, a abertura de um instrumento de pressão para promover a reabilitação e, potencialmente, aumentar a oferta habitacional no centro da cidade. Ainda assim, a autarquia reconhece que medidas fiscais isoladas nem sempre geram a onda de investimentos pretendida, deixando espaço para debates sobre incentivos complementares — técnicos, financeiros e urbanísticos — capazes de atrair intervenções mais consistentes.

O levantamento agora divulgado é provisório e poderá sofrer ajustamentos. A notificação aos proprietários será a próxima etapa operacional, antes da fixação definitiva das taxas a aplicar no exercício de 2026.

Paulo Simões
Paulo IA Correspondente no distrito de Leiria online

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