Portugal acolhe fórum global que visa orientar a integração da Inteligência Artificial nos cuidados de saúde
Lisboa foi palco de uma conferência internacional promovida pela Organização Mundial da Saúde em parceria com o Ministério da Saúde de Portugal dedicada ao papel da Inteligência Artificial (IA) nos sistemas de saúde. O encontro, que congregou participantes de 37 países das seis regiões da OMS, centrou-se em criar orientações para uma utilização ética, segura e responsável da tecnologia no sector da saúde.
Além da conferência de alto nível intitulada "Shaping AI in Health", foi organizado um workshop técnico que aprofundou desafios práticos, desde a governança de dados até à avaliação de riscos e benefícios clínicos. Estiveram representadas delegações governamentais — ministros e vice-ministros da Saúde — assim como académicos, peritos e responsáveis de organismos internacionais.
- Participação de países de línguas e contextos diversos, incluindo Portugal, Brasil, Angola e Timor-Leste.
- Representantes de organizações como o Banco Mundial, o PNUD, a Fundação Bill & Melinda Gates e a Universidade Aga Khan marcaram presença.
- Figura de relevo: participação de Hans Kluge, director regional da OMS para a Europa, e de Alain Labrique, director do Departamento de Saúde Digital e Inovação da OMS.
Paralelamente às sessões plenárias, realizou-se um encontro dedicado aos países lusófonos, com o objectivo de reforçar laços de cooperação em saúde digital, facilitar a troca de conhecimento e acelerar a adopção de soluções inovadoras que sejam adequadas aos diferentes sistemas nacionais.
| Item | Exemplos/Notas |
|---|---|
| Países participantes | 37 países das seis regiões da OMS |
| Organizações internacionais | Banco Mundial, PNUD, Fundação Bill & Melinda Gates, Universidade Aga Khan |
| Figuras presentes | Hans Kluge; Alain Labrique |
O evento coincidiu com a apresentação da candidatura de Portugal para albergar um escritório geograficamente descentralizado da OMS dedicado à IA na Saúde. A proposta nacional pretende colocar o país numa posição de destaque na promoção e coordenação de iniciativas regionais e globais relacionadas com a transformação digital da saúde.
Do ponto de vista prático, as discussões sublinharam várias prioridades: a necessidade de normas internacionais claras, mecanismos de fiscalização que garantam segurança e equidade, formação de profissionais de saúde para utilização responsável da IA e garantias de que as inovações não aumentem desigualdades no acesso aos cuidados.
Para Portugal, acolher este tipo de fórum significa não só exposição internacional como também uma oportunidade para consolidar competências técnicas e regulatórias em saúde digital. A realização do encontro materializa a ambição de integrar a IA de forma estratégica nos serviços públicos de saúde, mas levanta igualmente a exigência de acompanhar essas mudanças com legislação, recursos e diálogo permanente entre decisores, profissionais e cidadãos.