Defesa de liderança pública na implementação da IA em saúde
Em Lisboa, no âmbito da conferência internacional Shaping IA in Health, figuras públicas de peso manifestaram posições convergentes sobre o papel do Estado na introdução da inteligência artificial nos sistemas de saúde. O ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, afirmou que a aplicação da IA deve ser conduzida pelo setor público, argumentando que só dessa forma se evitam o agravamento das desigualdades e a perda de autonomia dos países.
“Se a implementação, a introdução da inteligência artificial na saúde for liderada pelo público, pelo sistema nacional público, irá reduzir desigualdades, irá juntar todos, inclusive o setor privado”
As preocupações de Padilha foram partilhadas pelo diretor regional da Organização Mundial da Saúde para a Europa, Hans Kluge, que chamou a atenção para a necessidade de partilha de conhecimento entre nações, de forma a evitar que problemas já resolvidos num país sejam repetidos noutro. A ministra da Saúde de Portugal, Ana Paula Martins, acrescentou outra dimensão: a iliteracia digital e em IA pode gerar novas injustiças se a tecnologia não for tornada acessível de forma universal.
Riscos e prioridades apontados
Os intervenientes destacaram três riscos principais associados a um processo dominado por interesses privados ou externos:
- Aumento das desigualdades no acesso a ferramentas e serviços baseados em IA;
- Perda de soberania tecnológica e dependência de fornecedores externos;
- Reforço das injustiças por incapacidade de garantir literacia digital adequada à população.
Ao mesmo tempo, os oradores defenderam que uma liderança pública não exclui o setor privado, antes o integra num esforço coordenado orientado por prioridades de saúde pública e por critérios de equidade. A ministra portuguesa referiu explicitamente o objectivo de usar a agenda digital na saúde para responder às necessidades dos cidadãos e transformar a sua vida, sublinhando a importância de políticas que combinem inovação e inclusão.
Implicações práticas para políticas públicas
Em termos práticos, as declarações apontam para medidas que os governos podem considerar: definição de normas e critérios de avaliação para ferramentas de IA em saúde, promoção de iniciativas de capacitação digital entre profissionais e cidadãos, investimentos em infraestruturas públicas de dados de saúde e mecanismos de cooperação internacional para partilha de boas práticas. Essas linhas de ação visam mitigar desigualdades e assegurar que a tecnologia se traduza em ganhos de saúde para toda a população.
| Atores | Preocupações | Possível resposta pública |
|---|---|---|
| Governo | Soberania tecnológica; regulação | Normas e investimentos públicos |
| OMS Europa | Partilha de conhecimento; prevenção de erros | Cooperação internacional |
| Cidadãos | Iliteracia digital; acesso desigual | Capacitação e inclusão digital |
A discussão em Lisboa reforça que a integração da IA na saúde envolve decisões políticas com impacto directo na equidade e na autonomia nacional. As intervenções públicas presentes na conferência sublinham a necessidade de estratégias coordenadas que coloquem os sistemas de saúde públicos no centro do processo, garantindo que a tecnologia beneficie de forma justa todos os cidadãos.