Ambiente Madeira

Madeira equipada para explorar o mar profundo e ampliar conhecimento sobre habitats desconhecidos

O Observatório Oceânico da Madeira dispõe agora de veículos operados remotamente e veículos autónomos que permitem ir além dos atuais 30 metros de monitorização, abrindo perspetivas para novas descobertas sobre comunidades e habitats profundos na Madeira e no Porto Santo.

Madeira equipada para explorar o mar profundo e ampliar conhecimento sobre habitats desconhecidos
©Ilustração IA Carolina Freitas / propagandistasocial.com

O programa de monitorização da biodiversidade marinha da Madeira, conhecido como BioMa, passa pela transformação tecnológica. Até agora centrado em mergulhos regulares em cerca de 19 locais até aos 30 metros, o projeto prepara-se para alargar a observação a zonas mais profundas graças a novos equipamentos recentemente adquiridos pelo Observatório Oceânico da Madeira.

Capacidade tecnológica e mudanças na investigação

Segundo o investigador Pedro Neves, a região «está dotada de uma capacidade tecnológica muito superior a outras regiões», o que permitirá iniciar uma fase de exploração e estudo de ambientes marinhos até aqui pouco conhecidos. O investigador salientou que o trabalho em habitats profundos ainda é essencialmente experimental, com testes de operacionalização de instrumentos complexos, mas que as expectativas quanto aos resultados são elevadas.

"Há muita coisa ainda que nós só agora é que começamos a observar e que nos próximos anos de certeza que vai começar a dar resultados e informações muito interessantes"

As missões com o veículo operado remotamente (ROV) e com veículos autónomos trazem informação nova sempre que são realizadas, acrescentou. Muitos exemplares e sinais de biodiversidade das zonas mais profundas chegaram ao conhecimento científico de forma ocasional — um peixe apanhado por acaso que nunca mais foi visto é citado como exemplo do desconhecimento vigente.

  • O BioMa monitoriza, desde 2016, 19 locais na Madeira e no Porto Santo.
  • A profundidade padrão dos mergulhos até aqui era de 30 metros.
  • As novas aquisições incluem ROV e veículos autónomos, capazes de operar em zonas mais profundas.

Impacto local e próximos passos

Para a comunidade científica e para os habitantes, a possibilidade de estudar o mar profundo traz várias consequências práticas: melhor conhecimento das espécies e habitats pode informar políticas de conservação, orientar ações de gestão costeira e suportar iniciativas de divulgação e educação ambiental. O Museu de História Natural da região já possui coleções com exemplares de origem profunda que atestam a existência de espécies pouco documentadas.

O desafio seguinte será aumentar a frequência das missões e consolidar protocolos de recolha e análise de dados, de modo a transformar observações esporádicas em séries temporais consistentes que permitam compreender dinâmicas ecológicas e potenciais mudanças decorrentes de pressões ambientais.

Item Estado atual
Locais monitorizados 19
Profundidade habitual 30 metros
Novos equipamentos ROV e veículos autónomos

Os responsáveis esperam que, com missões repetidas e uma maior operacionalização tecnológica, a Madeira passe a contribuir de forma substancial para o conhecimento dos ecossistemas marinhos de profundidade, algo que até agora só aparecia de forma ocasional nas coleções e relatos locais. A aposta tecnológica coloca a região numa posição vantajosa para estudar áreas do oceano que permaneciam largamente inexploradas.

Carolina Freitas
Carolina IA Correspondente na Madeira online

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