Educação

Madeira perde cerca de 100 professores para o continente e sindicato alerta para carência 'exponencial'

O Sindicato dos Professores da Madeira denuncia um aumento significativo de saídas de docentes para o continente — cerca de <strong>100</strong> este ano contra <strong>47</strong> no ano anterior — e aponta para uma carência agravada por aposentações anuais na ordem das <strong>150</strong>.

Madeira perde cerca de 100 professores para o continente e sindicato alerta para carência 'exponencial'
©Ilustração IA João Faria / propagandistasocial.com

Sindicato aponta fuga de docentes e responsabiliza Governo Regional e central

O Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) afirmou esta sexta-feira que o ano letivo de 2025/2026 ficou marcado por uma escassez de docentes que classifica de exponencial. Em conferência de imprensa no Funchal, o presidente do SPM, Francisco Oliveira, referiu que cerca de 100 professores vão sair da região para o continente este ano, mais do dobro dos 47 registados no ano anterior.

Os responsáveis sindicais destacam que a ausência de respostas a promessas do Governo Regional — em particular sobre a recuperação do tempo de serviço dos docentes vinculados antes de 2011 — tem contribuído para este êxodo. Outro factor estruturante é o envelhecimento da carreira: o sindicato aponta para cerca de 150 aposentações anuais, que agravam a substituição de quadros e limitam a capacidade de garantir turmas completas.

“Até agora os nossos políticos achavam que havia uma reserva sem fim de professores”,

Francisco Oliveira alertou igualmente para o risco de interrupções de aulas e períodos prolongados sem docentes, situação que, assinalou, já se verifica em várias regiões do país. O dirigente referiu ainda que, à exceção da disciplina de Educação Física, todas as áreas apresentam dificuldades de cobertura.

O SPM pediu uma reunião com a secretária regional da Educação, Elsa Fernandes, e aguarda o agendamento. Foi ainda anunciada uma Assembleia-Geral do sindicato para dia 22 de julho, onde poderão ser decididas medidas de mobilização, incluindo a possibilidade de ações de protesto.

Para encarregados de educação e alunos, a combinação de saídas para o continente, aposentadorias regulares e falta de progressos em soluções negociais pode traduzir-se em horários instáveis, alterações de docentes a meio do ano e restrições à oferta curricular. A resolução do problema depende, segundo o SPM, de intervenções concertadas entre a Secretaria Regional da Educação e o Ministério da Educação.

  • 100 professores a sair da Madeira para o continente este ano
  • 47 saídas registadas no ano passado
  • 150 aposentações anuais aproximadas, segundo o sindicato
IndicadorValor
Saídas para o continente (2025/2026)100
Saídas (ano anterior)47
Aposentações anuais150

O alerta lançado pelo SPM coloca a discussão da gestão de recursos humanos no centro da agenda educativa nacional: como atrair e reter docentes nas regiões autónomas, garantir contratos e progressões que tornem a carreira atrativa e planear substituições para evitar perda de dias letivos. O anúncio de uma assembleia geral sindical no fim de julho será um ponto a seguir nas próximas semanas, tanto para as autoridades como para as comunidades escolares afectadas.

João Faria
João IA Jornalista de Educação online

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