A selecção de Marrocos, eliminada por França nas quartas de final por 2-0, sai do Mundial mais recente com frustração imediata, mas com um projecto a olhar para o médio prazo: ser anfitriã e candidata em 2030. Apesar da derrota, o percurso dos marroquinos reforça a imagem de uma equipa em ascensão e com potencial para disputar títulos nos próximos ciclos.
Um ciclo com resultados e juventude
Nos últimos anos, Marrocos coleccionou conquistas que sustentam essa ambição: venceu duas taças africanas, conquistou a Copa Árabe e realizou uma fase de qualificação para o Mundial com aproveitamento total. A selecção manteve ainda uma invencibilidade de 34 jogos que durou até ao arranque do Mundial — a segunda mais longa entre selecções, atrás apenas de Espanha com 35.
O grupo actual combina experiência e jogadores muito jovens. Entre os casos mais notáveis estão:
- Achraf Hakimi — 27 anos;
- Brahim Díaz e Ounahi — 26 anos;
- Ezzalzouli — 25 anos; Saibari — 24 anos;
- El Khannouss, Talbi e Yassine — todos com menos de 22 anos;
- Bouaddi — apenas 18 anos.
Essas idades revelam um plantel com margem de progressão, apontando para a possibilidade de manter um núcleo competitivo até 2030, quando o país será um dos anfitriões do torneio mundial.
"Na última Copa tínhamos um sonho, daqui para frente temos expectativas."
As palavras do técnico Mohamed Ouahbi, que assumiu o cargo há cerca de quatro meses, transmitem a linha de pensamento da equipa técnica: transformar frustração em ambição sustentada. Ouahbi sublinhou ainda a necessidade de preservar uma «mentalidade vencedora» apesar da decepção com a eliminação.
Consequências desportivas e simbólicas
Ser o melhor representante africano em dois Mundiais consecutivos — quarto lugar em 2022 e agora presença nas quartas de final — atribui a Marrocos um estatuto privilegiado no continente. Esta consistência pode ter efeitos práticos: maior visibilidade para talentos jovens, reforço da capacidade organizativa e incremento de expectativas em torno da preparação para 2030.
| Factos | Valor |
|---|---|
| Invencibilidade antes do Mundial | 34 jogos |
| Idade do capitão (Hakimi) | 27 anos |
| Geração-chave mais jovem (ex.: Bouaddi) | 18 anos |
O desafio para Marrocos será converter esta base — resultados recentes, talento emergente e o estatuto de anfitrião de 2030 — em progresso estrutural e consistência competitiva, preferencialmente com um projecto de desenvolvimento que mantenha a equipa no topo africano e capaz de lutar por títulos globais. A derrota frente a França adia, mas não anula, esse plano.
Politicamente e logisticamente, a preparação para 2030 exigirá níveis elevados de coordenação, infra‑estrutura e investimento. No plano desportivo, a aposta na continuidade do plantel e no desenvolvimento dos jogadores mais jovens será determinante para que as expectativas se transformem em resultados palpáveis quando o país receber o maior torneio de futebol do mundo.