Requalificação de Milreu inclui percurso contínuo e medidas de proteção arqueológica
As Ruínas Romanas de Milreu, em Estoi, vão ser alvo de uma intervenção que alia conservação, acessibilidade e interpretação paisagística. A iniciativa conta com a participação da Universidade do Algarve (UAlg), através de um projeto que prevê a criação de um percurso de visita pensado para pessoas com mobilidade reduzida e para a proteção das estruturas arqueológicas.
Coordenado por duas arquitetas paisagistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UAlg — Ana Paula Gomes da Silva e Sónia Talhé Azambuja — o trabalho enquadra-se na empreitada global intitulada PRR_Ruínas Romanas de Milreu — Requalificação do Centro Interpretativo e outros Trabalhos. A intervenção é financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e integra um conjunto de medidas técnicas e de ordenamento de percursos que visam conciliar a visita pública com a conservação do sítio.
O objetivo central é estabelecer um percurso contínuo, seguro e confortável, com particular atenção às necessidades de acessibilidade universal. Além de melhorar as condições de circulação para visitantes com dificuldades de mobilidade, a solução projetada pretende ordenar e limitar a circulação junto das zonas arqueologicamente sensíveis, evitando o pisoteamento direto de mosaicos, pavimentos e muros que já têm sofrido pressões por falta de um traçado de visita bem definido.
- Criação de um percurso adjacente às ruínas com áreas de aproximação controladas;
- Melhoria do acesso ao Centro de Interpretação e renovação do percurso de visita;
- Intervenções paisagísticas que valorizem a paisagem cultural e sirvam de proteção às estruturas arqueológicas.
O imóvel arqueológico é propriedade do Estado, sendo o Património Cultural, I.P. o dono da obra. O custo associado a esta fase da intervenção é de 993.820,09 euros, valor a que acresce o IVA, correspondente à empreitada do Centro Interpretativo e ao projeto do percurso acessível e enquadramento paisagístico.
Uma das medidas previstas passa pela redisposição de grandes blocos arquitetónicos do templo romano, operação que exige cuidados acrescidos dada a sensibilidade arqueológica do local. As soluções propostas procuram, por isso, reduzir o impacto direto sobre os vestígios e criar um circuito que, ao mesmo tempo, proteja e explique o sítio ao público.
Para a população local e para o turismo no concelho de Faro, a intervenção tem duas consequências práticas imediatas: a melhoria da experiência de visita — com especial atenção aos visitantes com mobilidade reduzida — e um reforço da salvaguarda dos elementos patrimoniais contra usos indevidos. A clarificação do percurso e a criação de zonas de aproximação delimitadas devem reduzir episódios de circulação sobre estruturas frágeis, problema identificado pelos técnicos responsáveis.
| Elemento | Descrição |
|---|---|
| Local | Ruínas Romanas de Milreu, Estoi (Faro) |
| Responsáveis técnicos | Ana Paula Gomes da Silva; Sónia Talhé Azambuja (UAlg) |
| Proprietário | Estado / Património Cultural, I.P. |
| Investimento | 993.820,09 € (acresce IVA) |
| Financiamento | Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) |
O projeto reflete uma abordagem integrada entre investigação académica, património público e financiamento europeu/nacional, alinhando objetivos de conservação com metas de inclusão e fruição turística. Em termos práticos, os habitantes de Faro e visitantes podem esperar um sítio mais acessível, com percursos que explicam e protegem os vestígios e com um Centro de Interpretação renovado que facilitará a compreensão do valor histórico do conjunto.
Ao reforçar a proteção física das estruturas e a clareza do percurso, a intervenção pretende também prolongar a vida útil das ruínas e reduzir necessidades de intervenções de emergência no futuro. A execução técnica das operações sobre elementos arquitetónicos volumosos será acompanhada por equipas especializadas para garantir que a movimentação dos blocos ocorre sem comprometer a integridade arqueológica.
Em conclusão, a intervenção em Milreu representa um investimento relevante no património cultural do concelho de Faro, com impacto direto na acessibilidade, na valorização paisagística e na capacidade de preservação das ruínas romanas para as próximas gerações.