O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou esta terça‑feira a intenção de pagar já em agosto os professores que participaram na classificação digital dos exames nacionais. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) divulgou as tarifas que servem de base ao pagamento e admitem efetivação antes do início do próximo ano letivo, numa tentativa de reconhecer rapidamente o trabalho extraordinário realizado.
Tarifas anunciadas pelo Ministério
O ministério definiu valores distintos conforme o tipo de trabalho realizado: a classificação de cada resposta será paga a 1 euro; a reapreciação de uma prova a 12 euros; as provas em suporte físico (casos de Geometria Descritiva e Desenho A) terão um valor de 10 euros; e, no caso das reclamações, o pagamento sobe para 18 euros por prova classificada.
| Tipo de trabalho | Valor |
|---|---|
| Resposta classificada (digital) | 1 euro |
| Prova reapreciada | 12 euros |
| Provas em suporte físico | 10 euros |
| Reclamação (classificação) | 18 euros |
Reacções e críticas sindicais
A Fenprof, principal federação sindical dos professores, criticou o modelo e qualificou-o como “absolutamente inaceitável”, alertando para o risco de gerar desigualdades entre docentes. A federação sustenta que a tarifa fixa por resposta não tem em conta a variação de complexidade entre questões nem o tempo efetivo de trabalho: haverá professores a classificar apenas seis respostas por hora e outros a classificar muito mais, o que poderá traduzir‑se em remunerações muito desiguais pelo mesmo esforço.
“Temos de valorizar o trabalho dos professores”, disse o ministro, defendendo que o valor definido por resposta corrigida é adequado.
Calendário e próximos passos
Fernando Alexandre afirmou ter pedido ao organismo responsável pelo processo, o EduQa, que os pagamentos sejam efetuados em agosto, recuperando assim a prática de liquidação rápida dessas compensações. O ministério diz também que irá apresentar, em breve, um novo modelo de pagamento que terá uma forma semelhante à agora anunciada, mas que pretende aperfeiçoar o regime.
- Professores devem receber em agosto, se o calendário for cumprido.
- O governo manterá a estrutura anunciada, com promessas de revisão futura.
- Fenprof pede um sistema que contemple a complexidade e o tempo de classificação.
Esta decisão coloca na agenda nacional a questão da valorização do trabalho docente e da justiça nas remunerações extraordinárias. Para pais e alunos, a rapidez no pagamento pode ser vista como um sinal de reconhecimento do esforço dos professores e como um elemento de estabilidade no calendário pós‑exames; para os docentes, a discussão centra‑se agora em saber se o modelo anunciado reflecte de forma justa o tempo e a exigência do trabalho de avaliação.