A agência de informações externa de Israel, a Mossad, anunciou esta quinta-feira o desmantelamento de uma rede de espionagem que, segundo o executivo israelita, foi orquestrada pelo Ministério dos Serviços de Informações iraniano com o propósito de infiltrar agentes e preparar ataques em território israelita.
Modalidades e atores identificados
De acordo com o comunicado tornado público através do gabinete do primeiro‑ministro de Israel, a operação combinou investigações em vários países e cooperação entre a Mossad, o Shin Bet e serviços estrangeiros. As autoridades descrevem uma infraestrutura intermediária que recorria a organizações criminosas para recrutar pessoas dentro e fora de Israel, recolhendo informação sensível que poderia ser utilizada em ataques.
- Foram identificados intermediários que, alegadamente, operavam a partir do Irão.
- Funcionários do Ministério dos Serviços de Informações iraniano surgem relacionados com a operação, segundo a Mossad.
- Parte do recrutamento terá sido efetuado por indivíduos com ligações a redes criminais e ao narcotráfico.
O anúncio nomeou vários homens implicados: Baba Mahuzadeh Hayiyafan e Mehmet Nedim Yigit foram apontados como intermediários que residiriam no Irão “sob a proteção do Ministério dos Serviços de Informações”. O papel de recrutador de estrangeiros foi atribuído a Servet Ozkur, conhecido por “Philippe”, que, segundo a Mossad, viajou repetidamente para o Irão e recebia pagamentos.
"A cooperação entre a Mossad e o Shin Bet, com serviços de informações em todo o mundo, e investigações conduzidas em diversos países, combinadas com capacidades analíticas, levaram ao desmantelamento da infraestrutura intermediária criminosa e à descoberta de funcionários do Ministério por trás da operação."
Além dos intermediários e recrutadores, a agência israelita referiu nomes de funcionários do Ministério dos Serviços de Informações iraniano supostamente ligados ao esquema: Asadollah Behzad Oskhari, Vahid Masumi, Mohammad Hossein Zoghi e Hamid Ghasemi. A Mossad acrescentou que Oskhari terá morrido durante os ataques israelitas de junho de 2025 e que figurava como elemento central nos planos para atingir alvos judeus e israelitas no mundo.
Consequências e contexto
Para Telavive, a operação reforça o argumento de que Teerão tende a distanciar‑se publicamente das ações operacionais, utilizando intermediários e redes criminosas para reduzir a exposição política. Do lado israelita, o desmantelamento serve também para justificar medidas de segurança externa e internas e para fortalecer laços de cooperação em matéria de contra‑inteligência com parceiros internacionais.
| Indivíduo | Função/Descrição |
|---|---|
| Baba Mahuzadeh Hayiyafan | Intermediário, alegada proteção pelo Ministério iraniano |
| Mehmet Nedim Yigit | Intermediário, alegada proteção pelo Ministério iraniano |
| Servet Ozkur ("Philippe") | Recrutador de estrangeiros, residia em França |
| Asadollah Behzad Oskhari | Funcionário do Ministério (declarado morto em junho de 2025) |
O caso ilustra a persistente tensão entre Israel e o Irão e o papel das agências de inteligência nesta escalada de ameaças transnacionais. A declaração da Mossad não especificou, no entanto, todas as nacionalidades dos recrutados nem todos os locais das investigações, mantendo‑se detalhes operacionais que poderão surgir à medida que as autoridades envolvidas publiquem mais informações.