Uma imagem e um poema na chegada à cidade
Desde 13 de Julho que uma das entradas de Faro ganhou um novo marco visual: um mural de arte urbana dedicado à poetisa local Teresa Rita Lopes, nascida em Faro em 1937. A obra, com cerca de 30 metros, ocupa a fachada junto à nova rotunda da Nacional 2, no Vale da Amoreira, e integra a reprodução do poema «Sou daqui» acompanhada de imagens simbólicas — figos, laranjas, barcos e o mar — que remetem para a memória afetiva local.
O artista responsável pelo trabalho é Edgar Pacheco, do Estúdio Onze, também natural de Faro. Segundo o criador, a peça nasceu num momento pessoal que coincidiu com o primeiro aniversário do falecimento da homenageada: «Fazia um ano que ela tinha morrido. Por mera coincidência, foi nesse dia – 14 de Junho – que Edgar Pacheco pegou nas tintas, nos pincéis, também na poesia, e começou a criar aquilo que, até então, só estava no papel.»
«É um poema que fala desse sentimento de ser daqui que acabei por interpretar enquanto memória afetiva: os figos, as laranjas, os cheiros, as memórias na ilha, o interior e o litoral», afirmou o autor.
O trabalho desenvolveu-se ao longo de aproximadamente três semanas, com o artista a instalar-se praticamente no local. O período de execução coincidiu com uma vaga de calor, o que condicionou horários e método de trabalho: Pacheco trabalhou preferencialmente a partir das 6h00 até às 13h00 e regressava ao final da tarde, quando o prédio em frente lhe dava sombra.
- Local: rotunda da Nacional 2, Vale da Amoreira, entrada da cidade;
- Obra: mural de 30 metros com retrato e poema «Sou daqui»;
- Autor: Edgar Pacheco (Estúdio Onze); duração do trabalho: três semanas.
Ao longo do processo, a presença do artista nas imediações despertou curiosidade e interação por parte dos moradores — inicialmente de desconfiança, que evoluiu para diálogo e amizade. Pacheco recorda que as pessoas paravam, comentavam e interpelavam-no, o que o levou por vezes a usar auscultadores para se concentrar. A obra contou ainda com uma visita do filho da poetisa, num momento que o autor considerou especial.
| Data | Evento |
|---|---|
| 14 de Junho | Início criativo do artista (data-ligada ao ano do falecimento da poetisa) |
| Três semanas | Período aproximado de execução do mural |
| 13 de Julho | Mural passou a embelezar a entrada de Faro |
Para os habitantes de Faro, a intervenção acrescenta um elemento de identificação na chegada à cidade e reforça a presença de memória literária no espaço público. Ao integrar símbolos do quotidiano algarvio e o poema da autora, a peça oferece aos transeuntes uma leitura imediata da ligação entre lugar e expressão poética, tornando visível uma referência cultural local num ponto de passagem da cidade.
Além do impacto estético, a obra evidencia ainda o papel da arte pública na dinamização social do espaço: a proximidade do trabalho com os moradores permitiu um encontro direto entre autor e comunidade, transformando uma intervenção plástica num acto de reconhecimento coletivo da figura de Teresa Rita Lopes.