Do Leblon às calçadas alentejanas: um percurso feito de música e resiliência
Quem percorre o centro histórico de Évora pode cruzar-se com a voz e o violão de Levi Santos, músico brasileiro de 51 anos que, desde há quase dois anos, tem feito das ruas da cidade o seu palco. A presença do artista no espaço público contribui para a vida cultural da cidade e para a atmosfera que tanto atrai turistas como moradores.
Natural do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, Levi começou a cantar ainda criança. A mãe, atenta ao talento, levou-o a testes de televisão, o que lhe permitiu participar na novela Roque Santeiro, uma das produções mais emblemáticas da Globo. Essa experiência precoce interrompeu-se quando, aos 12 anos, perdeu a mãe — um acontecimento que determinou mudanças pessoais e profissionais profundas.
“O ruim é que ela morreu muito cedo. Fiquei meio desamparado e a participação em novelas acabou para mim.”
Posteriormente, a mudança para Belford Roxo e a influência da família paterna, ligada à música e à igreja Assembleia de Deus, deram-lhe outro rumo. Foi na comunidade evangélica que consolidou formação musical e integrou projectos como a Banda Liberdade e o Grupo Semeando, gravando um EP e um CD e actuando em distintos estados do Brasil.
Hoje em Évora, Levi mistura repertório popular brasileiro e temas adaptados ao público local, oferecendo concertos improvisados nas ruas e praças. Essa prática tem efeitos práticos na vivência urbana: anima zonas históricas, proporciona experiências culturais acessíveis e, ao mesmo tempo, suscita questões sobre regulamentação dos espectáculos em via pública.
- Presença diária: atua no centro histórico e interage diretamente com transeuntes.
- Percurso artístico: da televisão brasileira ao gospel e agora ao espectáculo de rua em Portugal.
- Impacto local: enriquecimento cultural do espaço público e oferta musical para residentes e visitantes.
Para quem vive ou trabalha no centro histórico, a presença de músicos de rua como Levi pode significar maior dinamismo comercial e cultural. Para turistas, trata-se de um elemento autêntico que compõe a experiência de visita. Já do ponto de vista administrativo, as actuações em espaço público remetem para regras municipais sobre som e ocupação do espaço, bem como para políticas de integração de artistas estrangeiros.
Segue-se uma breve cronologia com os pontos principais do trajecto do músico:
| Ano / Idade | Marco |
|---|---|
| Infância | Nasce no Leblon; inicia-se na música e participa em testes de TV. |
| ~12 anos | Perda da mãe; mudança para Belford Roxo; aproximação à música religiosa. |
| Fase adulta | Gravações com Banda Liberdade e Grupo Semeando; digressões pelo Brasil. |
| Últimos ~2 anos | Residência em Évora; actua regularmente nas ruas do centro histórico. |
A presença de artistas como Levi coloca ainda a questão da salvaguarda do património sonoro da cidade e da conciliação entre usos turísticos, residentes e criadores. Para os interessados em ouvir o músico, a recomendação é passear pelas artérias junto ao Templo Romano e arredores das principais praças, onde a circulação pedonal é maior e onde, com alguma frequência, se pode encontrá-lo a tocar.
Em termos mais amplos, a história de Levi Santos é também um exemplo de como trajectórias pessoais e profissionais se reconfiguram quando cruzam fronteiras: o artista traz a vivência cultural do Brasil para o centro histórico de Évora e acrescenta uma nota de diversidade ao panorama musical local.