Governo de Israel recusa proposta dos EUA e exige desarmamento total do Hamas
O primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu declarou que Israel rejeita o documento de quinze pontos apresentado no final de julho pelo Conselho de Paz associado ao ex‑presidente Donald Trump. Em comunicado difundido nas redes sociais e durante uma reunião do executivo, Netanyahu sublinhou que as Forças de Defesa de Israel não procederão a qualquer retirada do território palestiniano enquanto não ocorrer um desarmamento completo do Hamas.
A posição do chefe do Governo surge depois de o referido plano ter sido aceite pelo Hamas e por outras milícias palestinianas armadas, uma aceitação que, segundo Jerusalém, não altera a sua posição. Netanyahu especificou que o termo "desarmamento" inclui tanto as armas pesadas como as ligeiras, deixando claro que a presença militar israelita permanecerá até que tal condição seja verificada.
“As Forças de Defesa de Israel não efetuarão qualquer retirada até ao desarmamento do Hamas. E quando digo 'desarmamento do Hamas', refiro‑me tanto às armas pesadas como às ligeiras: todas as armas.”
O primeiro‑ministro afirmou ainda que, enquanto estiver no poder, não aceitará a criação de um Estado palestiniano nem em Gaza nem na Judeia e Samaria (Cisjordânia), recusando designações como "Fataquistão" ou "Hamastão" para futuros entes políticos na região. Netanyahu realçou que a existência e a segurança de Israel não estão em negociação e que o Governo permanecerá firme na defesa dos cidadãos israelitas.
Segundo a mesma fonte, houve contactos com a parte norte‑americana após a rejeição formal do acordo, com Netanyahu a afirmar que há propostas apresentadas pelos EUA que são aceitáveis e outras que não o são. A decisão israelita chega numa altura em que foi confirmado pelo diplomata Nickolay Mladenov, diretor‑geral do Conselho de Paz para Gaza, que o Governo israelita havia dado luz verde à entrada na Faixa de Gaza da Força Internacional de Estabilização, iniciativa organizada pelos EUA.
Fontes noticiadas pela televisão pública israelita Kan indicaram ainda oposição de ministros do executivo à implementação imediata de uma trégua de duas semanas, proposta que visava travar os ataques enquanto se exploravam mecanismos de aplicação do plano. O desacordo interno no seio do gabinete de segurança reflete a complexidade de conciliar pressões diplomáticas externas com considerações estratégicas internas.
- Rejeição formal do documento de 15 pontos apresentado pelo Conselho de Paz ligado a Donald Trump.
- Condição inegociável: retirada dependente do desarmamento total do Hamas — armas pesadas e ligeiras.
- Recusa de um Estado palestiniano enquanto Netanyahu for primeiro‑ministro.
- Diálogo em curso com os EUA sobre pontos do plano considerados aceitáveis ou não por Israel.
As declarações de Netanyahu têm implicações imediatas para os esforços diplomáticos destinados a estabilizar a Faixa de Gaza e para a segurança na região. A exigência de um desarmamento total do Hamas representa um obstáculo prático — exigiria mecanismos de verificação e a cooperação de múltiplos actores —, enquanto a recusa em aceitar qualquer forma de Estado palestiniano complica negociações políticas de longo prazo. A entrada prevista da Força Internacional de Estabilização, autorizada em princípio por Israel, acrescenta outra camada de complexidade operacional e política.
| Actor | Posição |
|---|---|
| Israel (Netanyahu) | Rejeita o documento; retirada condicionada ao desarmamento total do Hamas; não aceita Estado palestiniano. |
| Hamas | Aceitou o documento de 15 pontos (segundo a informação disponível). |
| Estados Unidos / Conselho de Paz | Apresentaram o plano e organizam a Força Internacional de Estabilização para Gaza. |
O impasse sinalizado por Jerusalém torna mais incerta a implementação de qualquer cessar‑fogo ou acordo de estabilização a curto prazo. Para os mediadores internacionais, o desafio consiste em encontrar fórmulas que garantam segurança a Israel, ao mesmo tempo que permitam soluções políticas para os palestinianos — uma equação que, até agora, parece distante de um consenso aceitável para todas as partes envolvidas.