Uma retrospetiva local que recupera memórias e técnicas analógicas
A Galeria da Biblioteca Municipal José Mariano Gago, em Olhão, inaugura no dia 7 de julho às 18:30 a exposição "Luís Torres – 50 anos a fotografar a partir de Olhão". A mostra, curada por Nuno de Santos Loureiro, da Universidade do Algarve, reúne uma seleção de impressões originais realizadas pelo fotógrafo olhanense entre as décadas de 1970 e 1990, produzidas no seu laboratório analógico caseiro em papel fotográfico clássico.
Natural de Olhão, Luís Torres iniciou a sua atividade em 1976. O percurso do autor — autodidata e com forte ligação à cidade — é hoje recordado através de imagens que documentam paisagens urbanas, rostos e rotinas quotidianas, num período em que a fotografia era dominada pelo preto e branco e pelos processos tradicionais de gelatina e sais de prata.
O que a exposição apresenta e por quanto tempo
Amostras inéditas e impressões históricas compõem a mostra que ficará disponível ao público até 30 de novembro de 2026. Para além das imagens, a exposição destaca o processo técnico por detrás das impressões, evidenciando um ofício que teve lugar, muitas vezes, em oficinas domésticas.
- Inauguração: 7 de julho, 18:30
- Local: Galeria da Biblioteca Municipal José Mariano Gago, Olhão
- Período de exibição: até 30 de novembro de 2026
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Autor | Luís Torres |
| Curadoria | Nuno de Santos Loureiro (Universidade do Algarve) |
| Produção das impressões | Laboratório analógico caseiro (1970s–1990s) |
"Quando éramos só nós"
A obra recente de Torres, o fotolivro "Quando éramos só nós" (publicado em 2024), já tinha reunido uma seleção do trabalho do autor; a exposição amplia esse universo com novas imagens e com peças originais que sublinham a persistência de um diálogo entre autor e cidade.
Para os residentes de Olhão, esta mostra não é apenas uma celebração pessoal do percurso de um fotógrafo local: funciona como um arquivo visual que permite reviver momentos de transformação urbana e social. As imagens oferecem pistas para compreender mudanças no tecido urbano, nas práticas laborais e nas relações comunitárias ao longo de décadas.
Do ponto de vista cultural, a iniciativa reforça a programação da Biblioteca Municipal enquanto espaço de memória e encontro. A presença de curadoria universitária acrescenta contexto crítico e possibilita, a investigadores e interessados, o acesso a material fotográfico que documenta a história recente da cidade.
Habitantes e visitantes interessados em fotografia analógica, memória local ou história social de Olhão encontrarão na Galeria uma oportunidade para observar técnicas de produção fotográfica pré-digital e para refletir sobre a persistência de imagens na construção da identidade coletiva. A exposição permanece aberta ao público até finais de novembro de 2026, proporcionando vários meses para visitas, atividades paralelas e possíveis ações educativas.