Um projecto de vida que se tornou infraestrutura de apoio a idosos
Em São José de Alcalar, na Mexilhoeira Grande, Algarve, abriu portas uma aldeia destinada a idosos cujo promotor é o padre Domingos Monteiro da Costa, figura conhecida como o “padre dos pobres”. O empreendimento, concebido como alternativa aos lares convencionais, levou 11 anos a ser concluído e assenta numa filosofia de autonomia dos residentes e de portas abertas à comunidade.
A infraestrutura reúne serviços que cobrem cuidados médicos e sociais. Segundo o próprio fundador, “
Hoje, a aldeia integra 26 casas, centro médico e de enfermagem, fisioterapia, lavandaria, auditório, salão de festas, bar, serviços centrais e espaços dedicados ao exercício físico”. A descrição sublinha a dimensão residencial e o caráter polivalente do espaço.
O percurso de Domingos Costa é parte integrante da narrativa: natural de Celorico de Basto, cresceu numa família ligada ao trabalho da terra, foi acólito e entrou no seminário dos jesuítas, onde se destacou academicamente. Viveu em França, Alemanha e Lisboa e fixou-se no Algarve aos 35 anos, palco do projeto que viria a marcar a sua vida.
A construção da aldeia foi condicionada por limitações financeiras. O padre contou com um capital inicial equivalente a cerca de 750 mil euros (os ≈150 mil contos referidos), mas estimava que seriam necessários cerca de 2,5 milhões de euros para concluir a obra. A diferença foi ultrapassada graças à solidariedade de conhecidos e apoiantes, numa mobilização que permitiu avançar apesar das dificuldades e do risco de desagrado institucional junto da ordem religiosa a que pertencia.
O modelo adotado distingue-se pelo foco na liberdade e na autonomia dos moradores: as portas não são trancadas, não há horários rígidos para visitas e a ideia de lar convencional foi explicitamente recusada. Esta aposta em convívio e em continuidade de vida social contrasta com modelos residenciais mais institucionais e coloca a ênfase na dignidade individual dos idosos.
- Local: São José de Alcalar, Mexilhoeira Grande (Algarve)
- Duração da obra: 11 anos
- Capacidade/infraestruturas: 26 casas e múltiplos serviços médicos e sociais
| Item | Descrição |
|---|---|
| Casas | 26 |
| Serviços | Centro médico e de enfermagem, fisioterapia, lavandaria, auditório, salão de festas, bar, serviços centrais, espaços para exercício físico |
| Financiamento inicial | ≈ 750 000 € |
| Estimativa necessária | ≈ 2,5 milhões € |
O impacto local desta iniciativa é múltiplo: cria respostas de cuidado e convívio para a população idosa, mobiliza redes de solidariedade e oferece um modelo alternativo para respostas residenciais no contexto de um país marcado pelo envelhecimento demográfico. Ao mesmo tempo, o projeto levanta questões sobre sustentabilidade financeira a médio e longo prazo e sobre a replicabilidade de modelos semelhantes noutros territórios.
Ao apresentar uma alternativa que privilegia autonomia e comunidade, a aldeia concebida pelo padre Domingos coloca no centro do debate social a forma como a sociedade organiza o cuidado a quem envelhece e os recursos necessários para garantir qualidade de vida nas diferentes fases da velhice.