O grupo parlamentar do PCP entregou esta semana uma pergunta ao Governo sobre a situação de duas repúblicas de estudantes da Universidade de Coimbra que enfrentam a possibilidade de despejo, depois da instituição ter denunciado o contrato de arrendamento do edifício onde funcionam as casas.
Repúblicas ameaçadas e valor patrimonial
Trata-se das repúblicas Marias do Loureiro e Baco — esta última com cerca de 92 anos de existência — localizadas num prédio da UC no Largo de São Salvador, na Alta de Coimbra. As estruturas, autogeridas e com forte componente comunitária, são apontadas pelo PCP como parte integrante da tradição académica da cidade e espaços de dinâmica cultural e cívica.
Na pergunta dirigida ao titular da pasta da Educação, Ciência e Inovação, os deputados comunistas requisitam clarificações sobre as intenções do Executivo relativamente à requalificação do edifício e sobre se haverá um plano de intervenção acordado com os residentes das repúblicas.
“Quais as medidas que o Governo irá tomar ‘para garantir a necessária requalificação do edifício das repúblicas de estudantes Marias do Loureiro e Baco’ e se a intervenção abrange um plano de requalificação ‘discutido com os moradores das duas repúblicas’.”
O PCP quer também garantias de realojamento digno e célere dos estudantes durante eventuais obras e questiona se, após as obras, a Universidade procederá a um novo contrato de arrendamento que permita às repúblicas regressarem ao local.
Implicações práticas para estudantes e para a cidade
Além do valor simbólico e histórico, as repúblicas desempenham um papel prático no alojamento estudantil: o partido recorda que, face à insuficiência de camas nas residências públicas, muitas vezes são a única alternativa acessível para estudantes com recursos limitados. A eventual perda destas moradias colocaria pressão adicional sobre o já escasso mercado de alojamento local em Coimbra.
- As repúblicas são autogeridas e têm valor cultural e histórico reconhecido;
- Há pedido de participação dos moradores em qualquer plano de requalificação;
- O PCP exige garantias de realojamento temporário digno e de renovação de contratos pós-obras.
Até ao momento não foi divulgada uma posição oficial da Universidade de Coimbra sobre as medidas solicitadas pelo PCP. A evolução do caso será acompanhada pelos órgãos locais, dado o impacto potencial sobre a vida académica e sobre a oferta de alojamento na cidade.