Operação judicial centra-se em dois ataques a empreiteiro
A Unidade Nacional Contraterrorismo da Polícia Judiciária (PJ) deteve três suspeitos — duas mulheres e um homem, com idades entre os 29 e os 37 anos — na sequência de uma investigação relacionada com dois ataques violentos contra um empreiteiro, ocorridos em dezembro de 2024 e em abril deste ano.
Segundo o comunicado da PJ, os factos começaram por envolver uma falsa proposta de trabalho que atraiu a vítima para uma habitação na zona de Torres Vedras, onde foi surpreendida por um grupo que a manteve sequestrada durante cerca de três horas. Durante esse sequestro, os agressores exigiram à família o pagamento de 40 000 euros, alegando a existência de uma dívida relacionada com serviços de construção civil.
"o litígio, que deveria ter sido resolvido pelos meios judiciais legalmente previstos, foi transformado num pretexto para o desencadeamento de uma atuação criminosa concertada, violenta e reveladora de um profundo desprezo pela ordem jurídica"
Apesar de o grupo ter abandonado o local após esse primeiro ataque, os mesmos suspeitos terão voltado a agir em abril deste ano, desta vez na residência da vítima na zona de Leiria. Na segunda ação, o empreiteiro e a sua esposa foram alvo de agressões, ameaças e novo sequestro. O casal só conseguiu libertar-se várias horas depois, depois de proceder a transferências bancárias no montante de 16 000 euros.
Detenções e diligências em curso
A investigação permitiu identificar os alegados autores dos crimes e levou, agora, à detenção de três indivíduos. A PJ indica que as diligências continuam em curso com o objetivo de apurar todas as circunstâncias e determinar a eventual responsabilidade de outros intervenientes.
- Suspeitos detidos: 3 (duas mulheres e um homem).
- Vítima: empreiteiro (alvo de dois ataques, em Torres Vedras e Leiria).
- Montantes exigidos/transferidos: 40 000 € exigidos inicialmente; 16 000 € transferidos na segunda ação.
Para os moradores e profissionais locais, o caso sublinha a importância de recorrer aos mecanismos judiciais e de mediação previstos para litígios contratuais, em particular na área da construção civil, e serve de alerta para esquemas que podem usar propostas de trabalho como isca.
| Data | Local | Evento | Montante |
|---|---|---|---|
| Dezembro de 2024 | Torres Vedras | Primeiro sequestro, vítima mantida ~3 horas | 40 000 € (exigidos) |
| Abril (este ano) | Zona de Leiria | Novo sequestro e agressões ao casal | 16 000 € (transferidos) |
| Julho de 2026 | Várias | Detenção de três suspeitos | — |
As autoridades locais e a Polícia Judiciária não divulgaram, até ao momento, mais detalhes sobre as identidades dos detidos nem sobre a participação de outras pessoas. Os inquéritos deverão esclarecer, igualmente, se os crimes envolveram redes mais amplas ou se se trataram de ações concertadas entre um grupo restrito.
O episódio reacende debates sobre segurança na região e sobre a proteção jurídica de profissionais do setor da construção civil. A PJ apelou aos cidadãos para que usem os canais legais de resolução de litígios e para que comuniquem prontamente qualquer contacto suspeito que envolva propostas de trabalho ou exigência de pagamentos fora dos mecanismos formais.