Revelação agrava crise de liderança na FIFA
Documentos agora publicados pelo jornal britânico The Times colocam sob escrutínio um projecto liderado por Gianni Infantino que previa a constituição da FIFA Forward Enterprise, uma entidade destinada a gerir os direitos comerciais dos Campeonatos do Mundo masculino, feminino e de clubes. Segundo a informação divulgada, o plano teria viabilizado uma transição para um cargo executivo fora da presidência, com uma remuneração na ordem dos 26 milhões de euros, aproximadamente seis vezes superior aos 4,2 milhões de euros que o próprio Infantino aufere actualmente como presidente.
A proposta descrevia a criação de uma empresa integralmente controlada pela FIFA, que concentraria a exploração comercial dos eventos de maior valor da entidade. Num segundo momento, estava prevista a venda de uma participação minoritária dessa estrutura a investidores privados, numa operação cujo universo de avaliação rondaria os 17 mil milhões de euros, com potencial de levantar quase 4 mil milhões de euros para reforçar o financiamento das 211 federações filiadas.
Resistências e consequências institucionais
O projecto encontrou imediata oposição de várias instâncias do futebol mundial, entre elas a UEFA e a CONCACAF, que criticaram a falta de transparência em torno da iniciativa. A polémica teve também reflexos internos: a demissão do conselheiro Carlos Cordeiro foi apresentada como um gesto de desacordo com a visão defendida por Infantino e ilustra a tensão dentro do organismo.
- Objetivo do plano: concentrar direitos comerciais numa empresa controlada pela FIFA;
- Etapa seguinte prevista: venda de participação minoritária a investidores privados;
- Impacto financeiro anunciado: valorização da operação em cerca de 17 mil milhões e captação de quase 4 mil milhões para federações;
- Reacções: críticas de federações e demissão de conselheiro.
O quadro delineado pelos documentos alimenta uma discussão central sobre governança, conflitos de interesse e a separação entre funções públicas e oportunidades privadas numa instituição com responsabilidades globais. A possibilidade de o presidente transitar para liderar uma entidade encarregue de comercializar os mesmos activos que supervisionou enquanto dirigente suscitou dúvidas sobre os mecanismos de controlo e as salvaguardas éticas dentro da FIFA.
| Item | Valor |
|---|---|
| Remuneração actual de Infantino | 4,2 milhões € |
| Remuneração prevista na nova função | 26 milhões € |
| Valoração estimada da operação | 17 mil milhões € |
| Montante potencial a captar para federações | ~4 mil milhões € |
Perante as revelações, a FIFA enfrenta uma das maiores crises desde que Infantino assumiu a presidência em 2016. Para lá das repercussões mediáticas imediatas, os próximos passos do Conselho da FIFA e das federações regionais serão decisivos para determinar se o projecto será abandonado definitivamente ou se surgirão propostas alternativas com maior transparência e supervisão. A escolha de manter ou reformular o plano terá implicações financeiras, políticas e reputacionais para o futebol mundial.