O perímetro de protecção das Termas de Monte Real foi levantado na sequência de um pedido da concessionária que explora o recurso hidromineral, decisão recentemente explicada pelo Ministério do Ambiente e Energia. A medida resulta de um processo técnico-administrativo que põe em causa a qualificação das águas e abre incertezas sobre a exploração futura do espaço termal.
Segundo a informação oficial, a revogação foi determinada depois de a empresa concessionária — ITMR – Indústria Termal de Monte Real — ter solicitado formalmente a alteração. A entidade alegou que ficou inviável manter a exploração por causa da “degradação da qualidade da água” e da impossibilidade de garantir as características exigidas para a manutenção da designação de água mineral natural.
"inviável" continuar a exploração devido à "degradação da qualidade da água" e à "impossibilidade de assegurar as características necessárias à sua qualificação como água mineral natural".
A Direcção-Geral de Energia e Geologia procedeu a uma avaliação técnica que conclui que os recursos hidrominerais designados por Monte Real e Santa Rita deixaram de cumprir as condições hidrogeológicas necessárias para manter a qualificação como águas minerais. Na origem desta alteração estão também alterações hidroquímicas associadas a formações de sal-gema no local, que, segundo a concessionária, foram agravadas pelas cheias de 2014.
Monitorização e futuro da concessão
Apesar do pedido de levantamento do perímetro de protecção, a ITMR anunciou que continuará a efectuar um programa de controlo analítico nas duas captações. Em função dos resultados das análises físico-químicas e bacteriológicas, a empresa admite, no futuro, submeter novo pedido para atribuição de concessão e qualificação de um eventual novo recurso hidromineral, caso exista viabilidade económica.
- Existem duas captações referidas: Monte Real e Santa Rita.
- A concessão atual é detida pela ITMR – Indústria Termal de Monte Real.
- As alterações hidroquímicas são associadas a formações de sal-gema e às cheias de 2014.
Do lado das autoridades locais, a União de Freguesias de Monte Real e Carvide afirma que acompanha a situação de perto, em coordenação com o Município de Leiria. A autarquia e a freguesia referem a intenção de intervir para esclarecer o processo e zelar pela salvaguarda do património termal, que tem relevância económica e cultural para a região.
| Entidade | Função/Estado |
|---|---|
| ITMR – Indústria Termal de Monte Real | Concessionária; solicitou levantamento do perímetro |
| Direcção-Geral de Energia e Geologia | Avaliação técnica concluiu perda de condições hidrogeológicas |
| União de Freguesias de Monte Real e Carvide | Acompanha em articulação com o Município de Leiria |
Para os habitantes e agentes económicos da área, a questão é sensível: as termas não são apenas um recurso natural com efeitos na saúde pública, mas também constituem um elemento de atracção turística e um motor de actividade para serviços locais. A eventual perda da classificação como água mineral natural pode influenciar a procura, investimentos futuros e a estratégia de promoção do território.
Nos próximos meses, a evolução das análises e eventuais decisões administrativas suplementares serão determinantes para perceber se haverá condições para requalificar as captações ou se se abrirá uma nova fase de reconfiguração da exploração termal em Monte Real. Até lá, técnicos e responsáveis locais mantêm um acompanhamento atento do dossier.